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O Aramaico e sua Influencia no Hebraico Atual

O hebraico (עברית, ivrit) é uma língua semítica pertencente à família das línguas afro-asiáticas. A Bíblia original, a Torá, que segundo os judaicos ortodoxos foi escrita na época de Moisés, cerca de 3.300 anos atrás, é redigida no hebraico dito “clássico” ou “arcaico” (antigo).

A palavra “hebreu” deriva de “Ivri,” ou “que está do outro lado,” uma frase da Torá descrevendo Abruham, que imigrou para Yaoshor’ul vindo do lado leste do Rio Eufrates. Um judaico – descendente de Abruham – era chamado de Ivri até evoluir para a palavra “Yaohudi,” ou “judaico” (da Yaohu’dah bíblica).

O hebraico atualmente tem duas formas: Lashon ha’Kodesh ou a Língua Sagrada [Hebraico Arcaico], e Ivrit, ou Hebraico (moderno). Lashon ha’Kodesh é a linguagem que os profetas receberam, e o idioma oficial da prece, ao passo que Ivrit, uma versão ocidentalizada da Língua Sagrada, é a linguagem de Yaoshor’ul atual, com suas regras gramaticais próprias para o uso dos sinais massoréticos

Embora hoje em dia seja uma escrita foneticamente impronunciável, devido à inexistência de vogais no alfabeto hebraico clássico, os judaicos têm-na sempre chamado de לשון הקודש(Lashon ha’Kodesh) – “A Língua Sagrada” –  já que muitos acreditam ter sido escolhida para transmitir a mensagem do CRIADOR à humanidade. Por volta da primeira destruição de Yaosh’ua-oléym pelos babilônios em 586 a.Y., o hebraico clássico foi substituído no uso diário pelo aramaico, tornando-se primariamente uma língua franca regional, tanto usada na liturgia, no estudo do Mishná (parte do Talmude) como também no comércio.

O hebraico renasceu como língua falada durante o final do século XIX e começo do século XX como o hebraico moderno já com sua pronúncia – e regras gramaticais – influenciadas pelo aramaico, adotando alguns elementos dos idiomas árabe, ladino, iídiche e outras línguas que acompanharam a Diáspora Judaica como língua falada pela maioria dos habitantes do Estado de Yaoshor’ul, do qual é a língua oficial primária (o árabe também tem status de língua oficial).

Origem

O Hebraico (escrito em caracteres hebraicos עברית, “ivrit, é também chamada de לשון הקודש (Lĕshôn Ha-Qôdesh) – Língua Sagrada, devido ao fato de ser a língua em que foi escrita a Torá) é uma língua que pertence ao ramo das línguas semíticas, ao qual pertencem o árabe , o aramaico e o síriaco, sendo que os estudiosos crêem que sejam todas originadas de um mesmo idioma-raiz conhecido como paleo-semítico, que teria existido cerca de quatro mil anos atrás. O hebraico seria uma ramificação desta raiz, desenvolvido entre o povo hebreu, e cuja história pode ser dividida em dois estágios principais:

Ivrit ou Hebraico Antigo (arcaico), língua falada pelo antigo povo de Yaoshor’ul desde a época dos patriarcas, tendo uma forte influência canaanita-egípcia. Sua escrita era efetuada no antigo alfabeto hebraico, ainda utilizado atualmente pelos samaritanos. Esta língua perduraria até o Cativeiro em Babilônia.

Ashuri, língua adotada pelos judaicos após o retorno de Babilônia, derivada do aramaico, possuindo um alfabeto quadrado. Com a adoção da língua aramaica também o antigo hebraico passou a ser escrito com este alfabeto (o mesmo que se utiliza desde então, até nossos dias no hebraico moderno). A adoção da escrita hebraica com caracteres aramaicos é atribuída a Ezra, o escriba. Esta língua continuará sofrendo influências de outros idiomas através da história judaica, e serve de base para o que conhecemos como o Hebraico Moderno.
 

O Hebraico Antigo (Arcaico):

De acordo com os religiosos judaicos o Hebraico é a língua original do ser humano, a única que teria se mantida não-corrompida após a dispersão de línguas ocorridas durante os eventos relacionados à Torre de Babel, e que teria sido transmitida pelo patriarca Abruham aos seus descendentes.

De acordo com os estudiosos laicos, o Hebraico pertence às línguas afro-asiáticas que teriam surgido no Nordeste da África [Egito], e começou a divergir nos meados do oitavo milênio antes de Cristo; de qualquer forma, existe grande debate em relação à data. Os falantes do proto-afro-asiático expandiram-se para o norte e acabaram por chegar ao médio oriente.

No fim do terceiro milênio a.Y. as línguas ancestrais como o aramaico, o ugarítico e várias outras línguas cananitas eram faladas no Levante ao lado dos influentes dialetos de Ebla e Acádia. À medida que os fundadores do hebraico migravam para o sul, onde receberiam influências do levante, tal como outros povos que empreenderam o mesmo caminho, como os filisteus, adotaram os dialetos cananeus. A primeira evidência escrita do hebraico, o calendário de Gezer, data do século X a.Y., os tempos dos reinados dos reis Dáoud e Salomão. Apresenta uma lista das estações e de atividades agrícolas com elas relacionadas.

O calendário de Gezer (que recebeu o nome da cidade em cujas proximidades foi encontrado) está escrito em um alfabeto semítico antigo, aparentado ao fenício, o qual, passando pelos gregos e pelos etruscos, deu origem ao alfabeto latino usado hoje em quase todas as línguas européias. O calendário de Gezer é escrito sem nenhuma vogal, e não usa consoantes substitutas de vogais mesmo nos lugares onde uma soletração mais moderna o requer (ver abaixo sobre os sinais massoréticos).

Inscrição no aqueduto de Siloam em caracteres hebraicos antigos

Numerosas tabuletas mais antigas foram encontradas na região com alfabetos similares em outras línguas semíticas, por exemplo o proto-sinaítico. Acredita-se que as formas originais das letras do alfabeto são mais antigas que os hieróglifos da escrita egípcia, embora os valores fonéticos sejam inspirados no princípio acrofônico.

O antepassado comum do hebraico e do fenício é chamado cananeu e foi o primeiro a usar um alfabeto semítico distinto do egípcio. Um dos documentos cananeus mais antigos é a famosa Pedra Moabita; a inscrição de Siloam, encontrada próximo de Yaosh’ua-oléym, é um exemplo antigo do hebraico.

Outros escritos hebraicos menos antigos incluem o óstraca encontrado perto de Laquis (Lachish) e que descreve os eventos que precedem a captura final de Yaosh’ua-oléym por Nebuchadnezar II e o cativeiro na Babilônia de 586 a.Y. Os escritos mais famosos originalmente em hebraico são o que chamamos de Tanakh, acrônimo que designa o conjunto de escritos sagrados do judaísmo (os livros do convencionado VT).

A língua formal do império babilônico era o aramaico (cujo nome deriva de “Aram Naharayim”, Mesopotâmia, ou de “Aram”, “terras altas” em cananeu e o antigo nome da Síria). O Império Persa, que conquistou o império babilônico poucas décadas depois do início do exílio judaico, adotou o aramaico como língua oficial. O aramaico é também uma língua semítica norte-ocidental, bastante semelhante ao hebraico. O aramaico emprestou muitas palavras e expressões ao hebraico, principalmente devido a ser a língua utilizada no Talmude e noutros escritos religiosos.

Além de numerosas palavras e expressões, o hebraico também recebeu do aramaico o seu alfabeto. Apesar de as letras aramaicas originais terem origem no alfabeto fenício que era usado no antigo Yaoshor’ul, divergiram significativamente, tanto às mãos dos judaicos como dos mesopotâmicos, assumindo a forma que hoje nos é familiar; isto cerca do século I a.Y. Escritos desse tempo (especialmente notáveis são os manuscritos do Mar Morto encontrados em Qumran) foram redigidos com um alfabeto muito semelhante ao “quadrático” ainda hoje usado.

Decálogo do segundo século em hebraico

Os judaicos que viviam mais ao norte ou no Império Persa aos pouco foram adotando o segmento aramaico, e o hebraico rapidamente caiu em desuso. Contudo, como essa literatura é parte integrante das escrituras, os caracteres ainda hoje permanecem preservados em outros idiomas.

Pelos seguintes 700 anos, o aramaico tornou-se a língua vernácula da Judéia restaurada. Obras famosas escritas em aramaico incluem o Targum, o Talmude e diversos livros de Flávio Josefo, embora muitos desses últimos não foram preservados em sua forma original.

Após a destruição de Yaosh’ua-oléym e do Segundo Templo, no ano 70 e.c., os judaicos começaram gradualmente a dispersar-se da Judéia para o resto do mundo conhecido à época. Por muitos séculos o aramaico permaneceu como a língua falada pelos judaicos da Mesopotâmia, e o Lishana Deni, conhecido também como “judaico-aramaico”, é um moderno descendente que ainda é falado por uns poucos milhares de judaicos (e muitos não-judaicos) na região conhecida como Curdistão; contudo, essa língua gradualmente cedeu lugar ao árabe; como também deu lugar a outros falares locais em países para os quais os judaicos emigraram.

O hebraico não foi usado como uma língua falada por aproximadamente 2300 anos, ou seja, foi considerada uma língua morta, assim como o latim. Contudo, os judaicos sempre dedicaram muito esforço para manter altos níveis de alfabetização entre eles, com o principal propósito de permitir a todo judaico consultar como se estivesse manipulando os originais da Bíblia hebraica e as obras religiosas que a acompanham. É interessante notar que as línguas que os judaicos adotaram em seus países de residência, nomeadamente o ladino e o iídiche não estavam diretamente relacionadas com o hebraico (a primeira baseada no espanhol peninsular com empréstimos árabes, e a última um antigo dialeto do alemão medieval), contudo, ambas foram escritas da direita para a esquerda, utilizando o alfabeto hebraico. O hebraico foi também usado como uma língua de comunicação entre os judaicos de diferentes países, particularmente com o propósito de facilitar o comércio internacional.

A mais importante contribuição para a preservação da leitura (sem pronúncia) do hebraico tradicional nesse período foi aquela dos eruditos chamados “massoretas”, ocorrida a cerca do sétimo ao décimo século d.Y. que criaram algumas marcações suplementares para indicar a posição onde deveriam existir vogais, assim como a acentuação tônica e os métodos de recitação. Desse modo, os textos originais hebraicos que usavam apenas as consoantes passaram a contar com as vogais; entretanto, algumas consoantes também passaram a indicar vogais longas. Na época dos massoretas esses textos originais eram considerados muito sagrados para ser alterado, assim todas as marcações [sinais massoréticos] foram adicionadas na forma de nekudot – diacríticos (pontinhos e pequenos traços) dentro e ao redor das letras de modo a não alterar o texto consonantal.
 

O Hebraico Moderno (ortodoxo):

Eliezer Ben-Yehuda –  O renascimento do Hebraico como língua falada foi possível graças aos esforços de Eliezer Ben Yehuda. Anteriormente um revolucionário na Rússia czarista, Ben-Yehuda juntou-se ao Movimento Nacional Judaico e emigrou para a Palestina em 1881. Motivado pelos ideais que o circundavam de renovação e de rejeição do estilo de vida dos judaicos da Diáspora, dedicou-se a desenvolver uma nova língua que os judaicos pudessem usar para a comunicação do dia-a-dia.

Apesar de a princípio o seu trabalho ter sido desprezado, a necessidade de uma língua comum começou a ser entendida por muitos. Em breve seria constituindo o Comitê da Língua Hebraica. Mais tarde se tornaria a Academia da Língua Hebraica, uma organização que existe até os dias de hoje. Os resultados do seu trabalho e do do comitê foram publicados num dicionário (O Dicionário Completo de Hebraico Antigo e Moderno).

Ben-Yehuda procurou basear o hebraico moderno no hebraico bíblico. Quando o comitê decidia inventar uma nova palavra para um determinado conceito, Yehuda procurava em índices de palavras bíblicas e dicionários estrangeiros, particularmente de árabe. Enquanto que Yehuda preferia as raízes semíticas às européias, a abundância de falantes europeus de hebraico levou à introdução de muitas palavras estrangeiras. Outras mudanças que tiveram lugar à medida que o hebraico voltava à vida foram a sistematização da gramática, uma vez que a sintaxe bíblica era por vezes limitada e ambígua; e a adoção da pontuação ocidental.

A influência do russo é particularmente evidente no hebraico. Por exemplo, o sufixo russo ‘-ácia’ é usado em nomes onde o português usa o sufixo ‘-ação’. Isto aconteceu tanto em empréstimos diretos do russo, como por exemplo “industrializacia” (industrialização), e em palavras que não existem em russo. A influência do inglês é também muito forte, parcialmente devido à administração britânica da palestina, que durou cerca de 30 anos, e devido a laços econômicos, fortes com os Estados Unidos. A influência do Ídiche é também notada, nomeadamente nos diminutivos. Finalmente o árabe, sendo a língua de numerosos judaicos Mizraicos e Sefarditas imigrados de países árabes, assim como dos palestinos e árabes israelitas, teve uma importante influência sobre o hebraico atual. esta característica – além de que os judaicos ortodóxos não acertarem o nosso Redentor, Yaohushua – faz com que o hebraico moderno seja altamente indesejado para o uso Escriturístico.

O hebraico moderno é escrito com um alfabeto conhecido como “quadrático”. É o mesmo alfabeto, em última análise derivado do aramaico, que foi usado para copiar livros religiosos em hebraico durante dois mil anos. Este alfabeto tem também uma versão cursiva, que é usada para a escrita à mão. O hebraico moderno têm um jargão rico, que resulta de uma florescente cultura de juventude. As duas características principais deste jargão são os empréstimos do árabe (por exemplo, “sababa”, “excelente”, ou “Kussémek”, uma expressão de forte dissatisfação que é extremamente obscena tanto em árabe como em hebraico). Devido ao tamanho relativamente reduzido do vocabulário básico, numerosos empréstimos estrangeiros e a regras gramaticais relativamente simples, o hebraico é uma língua simples de aprender. Os israelitas toleram bastante os sotaques estrangeiros e, esta é mais uma das razões de sua rejeição em prol do Hebraico Arcaico para o uso escriturístico!

NOTA de oCaminho: Além de ter regras específicas e diferenciadas (o Hebraico Moderno), nas Escrituras Hebraicas atuais, admite-se abreviaturas para o Nome do ETERNO presente nos nomes dos profetas… No entanto, não temos nas escrituras uma só “autorização” para tal. Muitos usam a abreviatura “Yah” (ex: Sl 150) para generalizar tal uso,, no entanto, como os judaicos não aceitam o nosso Redentor, ali, dizem eles que se trata do ETERNO. Mas, pelo contexto,sabemos que é um salmo dedicado ao CRIADOR que segundo Jo 1:3; Hb 1:2; etc. o nosso CRIADOR é o Verbo que se fez carne (Yaohushua – Jo 1:14) e, segundo este mesmo apóstolo, NINGUÉM jamais viu ao Pai (o tetragrama yhwh//YAOHUH) e, sendo assim, TODAS as passagens em que temos a divindade “falando, vindo, aparecendo, etc” só pode se tratar de Yaohushua – o nosso CRIADOR – que na porção do VT sempre aparece na forma hebraica de UL (corrompido como EL). Quando temos o superlativo UL’HIM (corrompido como ELOHIM), aí sim, trata-se do ETERNO! Portanto, desde as primeiras páginas das Escrituras, temos a presença tanto do ETERNO (YAOHUH UL’HIM) quanto de SEU filho Yaohushua (UL – o nosso CRIADOR). Na CRIAÇÃO, o FILHO (UL – a Palavra) criava e o PAI (UL’HIM – o ETERNO) aprovava…e isto é bom! É assim que você vai ler em uma escritura monoteísta como a ESN – Escrituras Sagradas segundo o Nome; EUC (Edição Unitariana Corrigida by CYC – Congregação Yaoshorul’ita o Caminho).

Observe que até na versão grega (traduzida?!?) o Nome está abreviado! Além disto, a corrupção EL esta presente no Hebraico dito moderno… Se conhecemos o ORIGINAL, porque não ficarmos com o original?

OS ARAMEUS, UM POVO, UMA LÍNGUA, UMA ESCRITA, ALÉM DE IMPÉRIOS:

O Aramaico é uma língua de raiz semítica pertencente à família linguística afro-asiática. O nome da língua é baseado no nome de Aram, uma antiga região do centro da Síria. Dentro dessa família, o aramaico pertence ao subgrupo semítico, e mais especificadamente, faz parte das línguas semíticas do noroeste, que também inclui as línguas canaanitas assim como o hebraico arcaico [escriturístico] e o fenício. A escrita aramaica foi amplamente adotada por outras línguas, sendo assim, ancestral do alfabeto árabe e do hebraico moderno.

Foi a língua administrativa e religiosa de diversos impérios da Antiguidade, além de ser o idioma original de muitas partes dos livros bíblicos de Esdra/Ozor e Dayan’ul, assim como do Talmude. O aramaico [já miscigenado com o hebraico arcaico] foi, possivelmente, a língua falada por Yaohushua e ainda hoje é a língua materna de algumas pequenas comunidades no Oriente Médio, especialmente no interior da Síria; e sua longevidade se deve ao fato de ser escrito e falado pelos aldeões cristãos que durante milênios habitavam as cidades ao norte de Damasco, capital da Síria, entre elas reconhecidamente os vilarejos de Maalula e Yabrud, esse último “onde Yaohushua hol’Mehushkyah hospedou-se por 3 dias” além dessas outras aldeias da Mesopotâmia reconhecidamente cristãs por onde o Messias passou, como Tur’Abdin ao sul da Turquia, fizeram com que o aramaico bíblico [hebraico arcaico ou dos dias do Messias] chegasse praticamente intacto até os dias de hoje.

No início do século XX, devido a perseguições políticas e religiosas, milhares desses cristãos fugiram para o ocidente onde ainda hoje restam poucas centenas, vivendo nos Estados Unidos, na Europa (Alemanha e Suíça) e na América do Sul (Colômbia) e que curiosamente falam e escrevem fluentemente o idioma falado por Yaohushua hol’Mehushkyah.

História Antiga

Como de costume, as origens do sírios se perdem nas brumas da história. A primeira evidência clara da etnia “aramaica” são encontrados nas inscrições do rei assírio Tiglate-Phalazar I (1114-1076 a.Y.) Que evocam suas muitas batalhas contra o “arameu-Ahlamu” ao longo do Médio Eufrates, no norte da Síria de hoje. Especificamente, o rei assírio se orgulha de ter vinte e oito vezes cruzado o Eufrates, duas vezes por ano, para derrotar os sírios que viviam em Ahlamu; aparentemente em uma área que corresponde aproximadamente à atual Síria.

De acordo com algumas indicações de textos anteriores, particularmente a partir do século XIII a.Y., certos grupos de proto-aramaico, os Ahlamu eram  tribos semi-nômades na fronteira da Mesopotâmia entre os reinos da Babilônia e Assíria, ao norte e ao sul. Segundo os textos assírios, eram considerados pessoas que constituam uma ameaça para a estabilidade de seu reino.

A tradição bíblica da B’nai Yacob, aparentemente a partir da Aram-Naharayim ou “Aram dos dois rios”, na curva do rio Eufrates, em torno das cidades de Harran e Nahur, parece confirmar que no século XIII a.Y. esta região foi habitada por pastores proto-aramaico.

Em geral, os yaoshorul’itas mantiveram nas Escrituras, uma memória de que seus antepassados eram sírios, dizendo: “Meu pai era um arameu errante” (Dt 26:5). No entanto, embora parte da população aramaica tenha sido composta de semi-nômades (pastores de ovelhas), muitos viviam na periferia das áreas cultivadas ou de cidades fortificadas em vários reinos. A tradição bíblica do Gênesis 36:31-39 nos traz uma lista dos reis aramaicos que exerceram poder no norte da Transjordânia.

A expansão aramaica, séculos X-XI

Depois de ter resistido a pressão sob a III Phalazar Tiglate-aramaico e Assur-bel-kala (1073-1056), a Assíria parece ter estado na defensiva por mais de um século, de 1050-935 a.Y., porque os sírios estavam baseados em cidades ao longo do rio Eufrates, ao norte de Carquemis, na época do rei assírio Assur-Rabi II (1012-972). Esta expansão dos aramaicos é confirmado por algumas informações esporádica da tradição bíblica, na fronteira sul do território aramaico.

De fato, no início do reinado de Dáoud, em torno de 1000 a.Y., o rei de Bete-Rehov e Aram-Zoba (um pouco mais a norte), Hadadezer, parece levar uma coalizão de reinos arameus – especialmente o Levante do Sul: Tov, e Geshour Maakah – e levou seus exércitos para o norte do Eufrates (II Sm 8:3).

Visando apoiar o rei amonita, Hanum, o exército sírio de Hadadezer foi finalmente derrotado por Dáoud (II Sm 8 e 10) e o seu território original se estendeu de Damasco até os territórios controlado anteriormente pelos arameus e pelo rei de Yaosh’ua-oléym. Com a morte de Dáoud, Hadad, um príncipe da família de Hadadezer (aramaico) que havia refugiado por algum tempo no Egito, retornou à região de Damasco, que acabou fundando o reino de Damasco (I Rs 11:14-24); que, durante dois séculos e meio seria o principal reino arameu do Oriente-Sul, pelo menos parcialmente, juntando os reinos arameus de Maakah, Tov e Geshour no norte da Transjordânia. Este importante reino arameu, muitas vezes, foi o principal adversário de Yaoshor’ul ao sul e ao norte da Assíria. Um de seus sucessores, Bar-Hadade, filho de Tabrimom por um breve período tomou posse da parte superior do Vale do Jordão e da região Kinneret (I Rs 15:20), contra o rei de Yaoshor’ul, Baasa (909-886 a.Y).

Os reinos arameus contra o Império neo-Assírio

Território norte dos arameus, a Assíria sob o rei Ashur-Dan II (934-912 a.Y.) em seu sonho de dominação universal, depois de muitas campanhas militares, onde conheceu êxitos e fracassos, acabou por eliminar todos os reinos aramaicos e absorver toda a população dentro de seu império.

Por sua localização, os primeiros reinos arameus que foram absorvidos pelo império neo-Assírio foram aqueles localizados no nordeste, perto do rio Eufrates: Hindanu, Equia, Suhu, sobre o Eufrates Médio e Nairi, Bit-Zamani, Bit-Bahiani (Gouzan) Azallu, Bit-Adini, na curva do rio Eufrates. Então, esta região passa a experimentar uma simbiose política e cultural assírio-aramaica; que vai misturar as inscrições cuneiformes (frases ou pensamentos completos) às  inscrições alfabéticas (palavras) aramaicas.

O exemplo mais óbvio dessa simbiose assírio-aramaica é a estátua de Tell Fekheriyeh, fontes de Habour: final do século IX, o rei de Gouzan, Hadadyis filho de Shamash-Nouri, é representado numa estátua com uma dupla inscrição: assírios na frente e aramaico na parte de trás. Além disso, na inscrição em aramaico, ele se proclamou “rei da Gouzan”, enquanto que na inscrição do neo-Assírio, é simplesmente “governador Gouzan.” A sua dinastia era considerada “real” pela população local e pelos aramaicos como um “governador”.

Com a expansão neo-assíria para o rio Eufrates, o rio passa a ser considerado por mais de um século como a fronteira natural do Império Assírio. A reação à pressão assíria aos reinos aramaicos do sul-oeste, além do Eufrates, iria variar de uma área para outra e assim, passam a ser cada vez mais organizado. Já, no início de seu reinado, o rei assírio Salmanasar III (858-824) levou três anos para anexar o reino arameu da Bit-Adini que ficava nas margens do Eufrates, ao sul de Carquemis, ampliando seu reino até a atual fronteira da Turquia e da Síria, ao norte: Carquemis, Kummuh, Mélid, Samal, Gurgum, Patina (baixo vale do Orontes) e Aleppo. Algumas inscrições em monumentos, especialmente aqueles de Carquemis e de Zencirli – local da capital do reino de Samal leste do Amanus – mostra-nos que os assírios eram por vezes muito bem recebido porque eles ajudaram a derrubar o jugo de vizinhos poderosos. Quanto aos tributos a serem pagos ao império assírio, estes sempre foram justos. Na verdade, os assírios ficavam satisfeitos com um tributo anual e sempre deixavam no lugar do rei local – eliminando rivalidades internas e até mesmo guerras civis – príncipes assírio e assim estas nações subjugadas aceitavam de bom grado desempenhar o papel de vassalos.

Em 853 a.Y., Salmaneser III também iria tentar anexar os reinos do centro da Síria, no reino; especialmente o reino de Hamate, mas seu rei, Irhuleni, solicita o apoio de outros reis do Oriente, especialmente o rei de Damasco, Adadidri e o rei de Yaoshor’ul, Acabe. O exército dos aliados, com mais carros de guerra do que o exército invasor, conseguiram barrar o avanço do exército assírio, que por doze anos, combate a frente unida. Só quando, em Yaoshor’ul, o golpe de Yeú quebra a coalizão de “reis da costa” é que Salmanasar III obtém um sucesso temporário, saqueando uma parte do reino de Damasco e aceita a oferta Yeú, um “obelisco negro”, atualmente no Museu Britânico. No entanto, apesar de uma última tentativa em 838 a.Y., o exército assírio não pode entrar em Damasco, quando o rei Hazael resistiu ferozmente a ele. Somente uma guerra civil no Império neo-Assírio iria remover, por alguns anos, a ameaça assíria às nações vizinhas.

Enquanto isto, os reinos arameus se beneficiam da tranquilidade para reforçar suas unidades. Na verdade, o rei Hazael de Damasco, que opusera uma resistência bem-sucedida a Salmanasar III, estendeu gradualmente seu poder em todo o Levante e impõe a alguns vassalos, trinta e dois reis. Cerca de 810 a.Y., o exército do império aramaico de Hazael atravessa o rio Eufrates, onde fora considerado território assírio por cinquenta anos. Este é o tempo que levou para o surgimento das primeiras inscrições em aramaico em monumentos, em fragmentos e particularmente na estela de Tel Dan; nas fontes do Jordão e pequenas inscrições contemporâneas sobre marfim ou em Hazael, em uma medalha de  bronze.

Na ausência de escavações arqueológicas do sítio antigo de Damasco, recorremos à essas inscrições em aramaico e historiografia onde há várias indicações dos livros bíblicos de Reis e que enfatizam a grandeza deste “rei de Aram” dominando não só todos os reinos arameus, mas também os da Fenícia, Palestina e Transjordânia. Seu reino também parece demonstrar um desenvolvimento econômico significativo com a presença de aramaicos em Samaria (I Rs 20:34), além da difusão cultural da escrita alfabética. É talvez neste tempo que foi escrito “Balaão, filho de Beor, o homem que viu os deuses” em aramaico, na Bíblia (Nm 24:15) e que os extratos foram encontrados copiado em uma parede caiada em Deir Alla “no Vale do médio Jordão”.

Cada reino arameu manteve a sua organização política e as suas próprias tradições culturais. O próprio reino foi muitas vezes chamado de Beyt, tanto a casa e dinastia do primeiro rei da linha. Eles falavam assim Beyt Hazael Beyt Gush… Cada reino tinha suas próprias tradições religiosas. No entanto, o chefe do panteão aramaico é geralmente reconhecido como o grande deus da tempestade Hadad; às vezes chamado de “mestre do céu” ou shamayin Baal, como na inscrição do Zakkour, rei de Hamate, ou ligado a Tal como no grande santuário “Hadad de Aleppo”. Encontramos também outros deuses associados com as estrelas, especialmente Shamash, o “sol”; Sahar, a “lua” e “Pleiades” ou sibitti (constelação). Finalmente encontramos os deuses protetores da dinastia Rakkibel como no reino de Samal Iluwer ou no de Hamat ao lado de várias divindades tradicionais tais como Rashap ou mesmo da Verdade – Ul, Ul’him!

As escavações arqueológicas de alguns sítios aramaicos como Zencirli, capital do reino de Samal, descobriram vários palácios, templos e muralhas reforçadas com valas. Parte dessa tradição arquitetônica é bastante reveladora de uma simbiose entre a tradição local e a tradição neo-assíria (aramaica) manifesta particularmente na importância de estelas e baixos-relevos, principalmente de basalto. Escavações arqueológicas trouxeram à luz a tradição iconográfica em marfim que se manifestou particularmente na iconografia dos selos.

A expansão do aramaico da segunda metade do século IX a.Y. foi pequena. Após a adesão ao poder em 805/803 a.Y., filho de Hazael, Bar-Hadade, teve de enfrentar a revolta do rei de Yaoshor’ul, Joás/Yao’osh (805-803-790), depois para a de Zakkour, o rei de Hamate cuja inscrição real está no Louvre. Na época do rei neo-assírio Adad III (810-783 a.Y.) e seus sucessores, na primeira metade do século VIII, é de fato o turtanu, isto é, o General chefe, o segundo personagem do Império Assírio, Shamshi-ilu, talvez ligada a um aramaico da família real, que vai decidir o assírio política vis-à-vis o império ocidental, desempenhando o papel de uma espécie de vice-rei para as Relações com os reinos arameus. Ele empreendeu várias campanhas militares; entrou em Damasco em 773 a.Y. e trouxe um espólio rico. Ele também desempenhou o papel de árbitro na definição de fronteiras entre os vários reinos da região que tinham de praticar a vis-à-vis Assíria através de tratados de aliança ou de vassalagem como revela o mais longo das antigas inscrições aramaicas, as estelas representando o compromisso de Sfire Mati’él, rei de Arpad, a capital do Gush Beyt, no norte da Síria.

Com a chegada ao poder do rei assírio Tiglate-Phalazar III (744-727 a.Y.), o neo-Assírio será sistematicamente imperialista, buscando integrar, possivelmente através de várias etapas, todos os territórios dos reinos arameus. Em 740 a.Y., depois de várias campanhas militares, o reino de Arpad é transformado em província assíria. Em 732 a.Y., é a vez do reino de Damasco e três quartos do reino de Yaoshor’ul. A última porção foi anexada em 722 a.Y. e assim, as Dez Tribos do Reino do Norte (Yaoshor’ul) foi finalmente “espalhadas” por entre as nações, restando o Reino do Sul (Yaohu’dáh) que, cerca de 150 anos depois seria conquistado por Nebuchadnezar, iniciando assim o exílio babilônicao, cujas influencias na língua hebraica antiga, seria extremamente forte… Em 720 a.Y. foi a vez do reino de Hamate e depois, nos anos seguintes, o de Samal. No final do século VIII, não havia mais reino arameu e seus territórios foram transformados em províncias do Império neo-Assírio.

O império assírio-aramaico

O desaparecimento dos reinos arameus não sinalizou o fim da integração na vida política, econômica e cultural de todos estes reinos. Enquanto que, em caso de revolta, uma parte da população poderia ser deportado para a outra parte do império, a maioria dos sírios sobreviveram! Na verdade, através da integração de uma grande população de  aramaicos em seu império, os reis assírios converteu-o em um império assírio aramaico. Como observamos acima, esse fenômeno começou no século IX, no norte da Mesopotâmia e da integração dos reinos arameus do Levante de Tiglate-Phalazar III e a partir de então, tudo ocorreu rapidamente. Sírios surgiram em todos os níveis da administração e do exército; de fato, por vezes integraram regimentos inteiros de exércitos derrotados.

Temos encontrado diversos relevos representando relatos bélicos, escritos em acadianos e não rara vezes escritos em aramaico ou muito comumente, fazendo parte do texto. Embora a escrita cuneiforme acadiano permanece em inscrições em monumentos reais, o aramaico é frequentemente utilizado em todos os níveis de governo, especialmente porque a escrita alfabética é mais fácil de aprender. Faoi geralmente usada para escrever em folhas ou em rolos de couro que, infelizmente, desapareceram por causa do clima relativamente úmido.

No entanto, especialmente a partir do século VIII a.Y., os escribas também começar a escrever em aramaico em tabuletas de argila um grande número de atos jurídicos da vida cotidiana: os contratos de empréstimos de dinheiro ou cevada, compra de terrenos, leilões de escravos, promessas, etc… Escavações recentes em Tell Sheikh Hamad, (antigo Hard-Katlimmu, a Baía, o principal afluente do Médio Eufrates) descobriram tabletes cuneiformes e outros em aramaico, nos mesmos níveis (século VII a.Y.), e que estão sendo publicado, pouco a pouco.

Na verdade, essa integração no império levou a uma expansão geográfica do uso do aramaico. O Aramaico passou a ser usado em todo o Império neo-Assírio. Ele pode ser encontrados nas inscrições reais, no nordeste da Assíria, na Mannaean (chamado de registro BUKAN); na Cilícia (em Tarso) e no Egito, num tempo controlado por Assurbanipal (668-627 a.Y.). O Aramaico se tornou a língua de comunicação da maior parte do Oriente Médio e por isto, todos os diplomatas deviam definitivamente conhecer, como vimos no diálogo dos ministros de Yaohu’dah, Ezequias/Kozoq’yaohu e Senaqueribe da Assíria diante dos muros de Yaosh’ua-oléym, em 701 a.Y. (II Rs 18:26).

No entanto, do ponto de vista linguístico, este aramaico será principalmente o usado na Mesopotâmia e a partir do século IX estava em harmonia com a cultura e a língua dos neo-Assírio. Ele iria incluir uma série de palavras de empréstimo e por decretos, método semelhante aos métodos neo-assírios. Além disso, um dos livros usados para treinar os escribas no aramaico, no final do Império Assírio, foi o romance Aicar, que relata as provações e aventuras de um alto funcionário do Tribunal de Senaqueribe e Esarhaddon.

A presença do aramaico do Império Assírio tornou-se cada vez mais claro durante o século VII. Assim, não nos é surpresa que, após a queda de Nínive em 612 a.Y., a resistência dos últimos reis neo-assírios estar organizada em torno de Haran, isto é, o coração de uma importante região aramaica, que iria cair definitivamente sob os golpes do exército neo-babilônico, em 610-609 a.Y.

O Aramaico no Império neo-Babilônico

Durante sessenta anos, o neo-Império Babilônico assume a partir do Império neo-Assírio. Todos os registros oficiais dos reis são naturalmente na escrita cuneiforme neo-babilônica; no entanto o uso do aramaico continuou a crescer, em particular, costumavam ser rotulada na lateral de documentos neo-babilônicos uma breve inscrição em aramaico que o escriba podia ler com mais facilidade. Por causa das muitas deportações de populações na região ocidental da Babilônia, a linguagem usual de comunicação de todas essas diferentes populações era o aramaico que tínhamos ouvido muitas vezes nas ruas da Babilônia e nas principais cidades da região .

A influência da cultura aramaica se torna ainda mais evidente durante o reinado do último rei babilônico, Nabonido (556-539 a.Y.), ao impor uma devoção especial ao deus da lua de Harran (deus aramaico) fazendo restaurar o grande templo e assim, competindo com Marduk, o grande deus da Babilônia. Durante sua estada de dez anos na Arábia, no oásis de Teima, Nabonido introduziu o uso da escritura aramaica e que desde então, poderia ser usada em todo o Império.

O Aramaico no Império Persa (539-331)

A entrada de Ciro na Babilônia em 539 a.Y. marca a integração do território do Império neo-babilônico no maior império territorial que o antigo Oriente Próximo conheceu, a Assíria. De acordo com Dario (522-486 a.Y.), este vasto império se estenderia desde o Indo à Trácia e sul do Egito (Elefantina/Aswan) à Ásia Central (Bactria).

O aramaico antigo é encontrada principalmente nas províncias de Transeuphratene (Abar-Nahara) e Babilônia. Não foi ama entidade política (nação), mas uma língua difundindo uma cultura em todas nações do império Persa: escrita e língua usada como meio de comunicação e administração, em todo o império Aquemênida.

A propagação da escrita aramaica é bem atestada pelas inscrições: podemos nos deparar com inscrições em aramaico na Anatólia às margens dos pergaminhos Indus e em documentos do Egito até o Uzbequistão. O Aramaico também foi usado por aliados ou reinos vassalos, como o reino árabe de Kedar. O bom funcionamento da administração e cobrança de impostos foram um dos pontos fortes deste imenso império e foram grandemente facilitado pelo uso de caracteres alfabéticos fáceis de se escrever e fácil de aprender ou usar. As muitas trocas (escambo) entre as várias partes do império foram possíveis graças ao desenvolvimento homogêneo da língua que evoluiu integrando uma série de palavras persas, especialmente palavras específicas da área administrativa, no século IV a.Y.

Esta difusão indiscutível do aramaico como língua escrita não significa em absoluto que todas as populações deste imenso império falou ele. Deve-se distinguir a linguagem falada da linguagem escrita. Além da administração também pode-se usar, ao mesmo tempo, as línguas locais.

Aramaico no período helenístico

A conquista do império persa por Alexandre, o Grande (333-331 a.Y.) não desmoronou imediatamente toda a organização do império Aquemênida. Segundo Pierre Briant, Alexandre foi de alguma forma, “o último dos aquemênidas”, ao observarmos como ele manteve a unidade do vasto império conquistado. Na verdade, o ostraca aramaico da Iduméia, ao sul da Palestina, e os manuscritos de pergaminho do Uzbequistão recém publicados, mostram que a administração não só continuou a usar o escrito aramaico, mas exatamente o mesmo sistema e as mesmas fórmulas, apenas remorando, em vez de Alexander os anos de Dario III.

A mudança cultural que ocorre, gradualmente, sob os sucessores de Alexandre, especialmente com a divisão do império. O Grego, então, torna-se rapidamente a linguagem administrativa. Como consequência, ele vai emergir também como a linguagem do comércio internacional e das relações políticas. Assim, o uso do aramaico vai rapidamente desaparecendo da Anatólia e Egito; ao mesmo tempo ele permanecerá na Síria-Palestina, onde começam a surgir escritos/documentos greco-aramaico bilíngues [como os livros do chamado NT] e da Mesopotâmia; e, entre as populações norte-árabe, como língua falada e escrita.

No entanto, com o desmembramento do império e da multiplicação do comércio no final do período helenístico vai ocorrer uma diferenciação da escrita aramaica influenciados pela cultura dos reinos e regiões. As correspondências irão evoluir de formas diferentes na Palestina, na Mesopotâmia Inferior, e na Armênia Nabatêne.
 

O Aramaico na época romana

Desde o século II a.Y. a desintegração do Império selêucida de Antioquia levou ao desenvolvimento de uma série de reinos locais que tentaram desenvolver as suas tradições nacionais e usar o aramaico como língua e escrita oficial. Assim, vemos aparecer várias versões do contexto aramaico:

  • Na região sul de Petra, a escrita Nabatean foi usada desde 169 a.Y.. até parte do século IV d.Y. para muitas inscrições em monumentos e em moedas. Mesmo com a transformação do reino dos Nabateus em uma província romana em 106 d.Y. não marcou o fim da utilização do presente escrito e somente com o desenvolvimento da escrita cursiva, mais tarde,  é que substituiu-se para a escrita arábica. De fato, o paradoxo do aramaico em Nabatène é que ele foi usado como a linguagem escrita de uma população cuja língua vernácula era para ser um dialeto da língua árabe do Norte.

  • Na Judéia/Palestina, a dinastia dos Hasmoneus e Herodes levou a um renascimento da literatura hebraica arcaica. No entanto, a maioria da população falava aramaico e a literatura estava no aramaico. Este período é parcialmente conhecido pela grande descoberta dos manuscritos de Qumran no deserto de Yaohu’dah e em alguns documentos constituído principalmente de textos, cartas, contratos, contabilidade, etc. Nos primeiros dois terços do primeiro século d.Y., as inscrições em tumbas e ossários nos entornos de Yaosh’ua-oléym revelam o trilinguismo de seus habitantes que poderiam utilizar o aramaico, hebraico e grego, além do latim que estava sendo introduzido pelo jugo romano [Jo 19:20]. De acordo com algumas palavras aramaicas preservadas nos Evangelhos, Yaohushua, dentre os nazarenos, falava aramaico normalmente. O judaico-aramaico será encontrada mais tarde no Talmud de Yaosh’ua-oléym, escrito por volta de 425 d.Y., aparentemente refletindo principalmente o aramaico da Galiléia.

  • No deserto da Síria, o oásis de Palmyra, em seguida, goza de grande prosperidade, pois controlava o comércio entre o Império Parto e do Império Romano e conseguiu manter uma certa autonomia em relação ao Império Romano do primeiro século a.Y. até o século III d.Y. O aramaico foi a língua do reino e o que conhecemos hoje vem de  cerca de 2000 citações em Palmyra, principalmente inscrições em monumentos e túmulos, além de um culto relato usado por um escultor conhecido por seu realismo e precisão em seus detalhes.

  • Mais a norte, duas cidades da Alta Mesopotâmia, Edessa e Hatra, foram os principais centros econômicos e políticos a irradiar a cultura aramaica “oriental”. Edessa, hoje Urfa, no sudeste da Turquia, era o centro de um pequeno reino na fronteira do Império Romano. A tradição dos escribas deste reino, mais tarde deu origem ao siríaco cuja literatura vai crescer especialmente com a difusão do cristianismo em todo o Oriente Médio. o livro de Lucas foi escrito nesta “língua”.

  • Um pouco mais a leste, cerca de 90 km ao sul-sudoeste de Mosul, no norte do Iraque, Hatra foi a capital de um pequeno reino na fronteira entre os impérios romano e parto do período helenístico no século III d.Y. A dinastia local tinha o título de “Rei da Arábia” ou “rei dos árabes”, mas seu reino era limitado e suas inscrições em aramaico representou uma evolução em direção à letra cursiva aramaica, desde o início do período helenístico. Há cerca de 400 inscrições em pedras que datam do primeiro ao terceiro séculos d.Y. Temos dezenas de inscrições encontradas em Ashur, um pouco mais ao sul.

  • No sul da Mesopotâmia, em dominação Parthian, no Khuzestan atual Iram, o principado de Mésène (Characene) desenvolveu uma variante local do aramaico evoluindo mais tarde na redação do Mandaeans, uma seita religiosa que combina tradições babilônicas, persa, judaica e cristã, com muitos textos mágicos e uma literatura toda especial.

O dinamismo desses vários reinos arameus não resistiu à expansão dos impérios romano e sassânidas e a língua Aramaica sucumbiu diante a expansão do grego e do latim, bem antes das invasões árabes do século VII d.Y. O árabe, em seguida, substituiu o aramaico de forma lenta, tanto como uma língua falada quando escrita e o Aramaico foi preservado na abundante literatura siríaco e na literatura religiosa judaica, Samaritano e Mandaean.

REFORÇANDO: Os Arameus

Foram Tribos nômades da antiguidade que se estabeleceram na fértil região da Mesopotâmia, os arameus exerceram ali importante papel político, e sua língua, o aramaico, difundiu-se por vastos territórios, sendo adotada por outros povos.

Os arameus compunham um conjunto de tribos nômades que, entre os séculos XI e VIII a.Y., partiu de um oásis no deserto sírio e instalou-se em Aram, uma extensa região na Síria setentrional. No mesmo período, algumas dessas tribos dominaram grandes áreas da Mesopotâmia. A primeira referência a eles ocorreu em inscrições do rei assírio Tiglate Pileser I, no século XI a.Y., que afirmava tê-los combatido em 28 campanhas. No final desse século os arameus fundaram o estado de Bit Adini nos dois lados do rio Eufrates, abaixo da cidade de Carquemish, e ocuparam áreas na Anatólia, na Síria setentrional e na região do antilíbano, inclusive Damasco. Por volta de 1030 a.Y., uma coalizão de arameus da Mesopotâmia atacou Yaoshor’ul, mas foi derrotada pelo rei Dáoud.

Além de ocupar a Síria, as tribos araméias estenderam-se ao longo do médio e baixo Eufrates, junto ao médio Tigre e, para leste, até a Babilônia, onde um usurpador arameu foi coroado rei. Por volta do século IX toda a área compreendida entre a Babilônia e a costa mediterrânea era dominada pelos membros dessas tribos, mencionados na Bíblia como caldeus, nome de uma delas. A Assíria, praticamente cercada pelos arameus, reagiu sob a liderança de Assurnasirpal II e conseguiu subjugar um dos reinos arameus a oeste.

Em 856 a.Y. o rei assírio Salmanazar III anexou Bit Adini e, em 853, travou batalha contra os exércitos de Hamat, Aram, Fenícia e Yaoshor’ul. Embora a batalha terminasse sem vencedores, em 838 Salmanazar conseguiu anexar as regiões dominadas pelas tribos no médio Eufrates.

Durante um século prosseguiram as guerras intermitentes entre Yaoshor’ul e Damasco. Em 740 a.Y. o assírio Tiglate Pileser III capturou Arpad, o centro da resistência araméia na Síria setentrional, derrotou Samaria em 734 e Damasco em 732. A destruição de Hamat pelo assírio Sargão II, em 720 a.Y. pôs fim aos reinos arameus do oeste.

Os arameus instalados junto ao baixo Tigre conseguiram manter a independência por mais tempo. De cerca de 722 a 710 a.Y., um caldeu, Merodach-Baladan, governou a Babilônia e resistiu aos ataques assírios. Na luta violenta que se seguiu à sua morte os assírios deportaram cerca de 210.000 arameus e, em 689 a.Y., arrasaram a Babilônia. Os caldeus, porém, não se submeteram: reconstruíram a Babilônia e em breve a luta se reacendia. Em 626 a.Y. um general caldeu, Nebopolassar, proclamou-se rei da Babilônia e uniu-se aos medas e citas para derrotar a Assíria. No novo império babilônico ou caldeu, os arameus, caldeus e babilônios mesclaram-se, tornando-se indistinguíveis.

A Língua

Sua língua se espalhou para os povos vizinhos. Eles sobreviveram a queda de Ninive (612 a.Y.) e a Babilônia (539 a.Y.) e continuou a ser a língua oficial do império Persa (538-331 a.Y.).

O aramaico, língua semítica falada pelos arameus, aproxima-se do hebraico e do fenício, mas apresenta semelhanças com o árabe. Adotava o alfabeto fenício e sua inscrição mais antiga foi encontrada em um altar do século X ou IX a.Y. Na Síria descobriram-se muitas inscrições que datam dos séculos IX e VIII a.Y., quando se empregava o aramaico para fins religiosos ou oficiais. Por volta do século VIII já existiam dialetos, mas uma forma geral, amplamente utilizada pelas pessoas instruídas, era aceita pelos próprios assírios quase como uma segunda língua oficial. As deportações em massa promovidas pelos assírios e o uso do aramaico como língua franca pelos mercadores babilônicos serviram para difundi-lo. No período neobabilônio, seu uso era geral na Mesopotâmia. Durante o império persa, do século VI ao século IV a.Y., o “aramaico imperial” era oficialmente empregado do Egito à Índia.

Alguns livros do Velho Testamento, como os de Dayan’ul e de Esdra/Ozor, foram parcialmente redigidos em aramaico. Na Palestina, essa continuou a ser a língua comum do povo, com o hebraico arcaico reservado a assuntos religiosos ou governamentais e usado pelas classes elevadas. O aramaico era a língua falada por Yaohushua e pelos apóstolos e traduções em aramaico circulavam com a Bíblia hebraica.

Além de preservar-se na vida cotidiana em algumas aldeias isoladas perto de Damasco, no sudeste da Turquia e na margem leste do lago Urmia (Irã), o aramaico continua a ser usado pelos cristãos sírios orientais e é também recitado em trechos da liturgia judaica.

POVO AMEAÇADO – Cristãos que falam a língua de Yaohushua e que vivem na Turquia, enfrentam o risco de extinção!

O povo arameu e o aramaico, a língua que era falada por Yaohushua e os apóstolos, estão ameaçados de extinção. Os arameus são descendentes de tribos nômades da Antiguidade que povoaram a Mesopotâmia. O aramaico, idioma próximo do hebraico, foi predominante na região alguns séculos antes e depois do Messias. Há livros do Velho Testamento redigidos em aramaico. O que hoje ameaça os arameus é o meio hostil onde vivem, uma terra árida e quente na fronteira da Turquia com a Síria e o Iraque. Ali eles são pouco mais de 2 mil, um povo cristão (católico ortodoxo) que tenta preservar sua cultura e língua, imerso num mundo essencialmente islâmico. Já a diáspora aramaica, por força da necessidade que têm os imigrantes de se adaptar ao país que os acolheu, perde progressivamente seus laços com o passado. O número de arameus e seus descendentes espalhados pelo mundo é desconhecido (só na Alemanha, são 45 mil).

Atualmente, o perigo mais direto para a sobrevivência dos arameus é o conflito entre a guerrilha curda e o exército turco. Os curdos, minoria com ambições nacionais, vivem mais ou menos na mesma área em que estão os arameus. Pego no fogo cruzado esse povo é vítima tanto dos guerrilheiros quanto dos soldados turcos. A região, na fronteira já mencionada, é chamada pelos diáconos e monges aramaicos locais, seguidores da Igreja Ortodoxa síria, de Tur Abdin. Significa “monte dos servos de deus”. Lá não se lê a Bíblia sem medo… A qualquer momento podem aparecer agentes do serviço secreto turco, que confiscam os livros sagrados. Diversas vezes os monges de Mor Gabriel, principal mosteiro de Tur Abdin, erguido há 1.600 anos, tiveram de enterrar os manuscritos antigos, escritos na língua de Yaohushua, para evitar pilhagens.

As mensagens de paz dos textos bíblicos não têm eco numa região onde a guerra é a única mensagem. Que o diga o arcebispo de Tur Abdin, Timotheus Samuel Aktas, um homem de barba branca e olhos tristes que tem denunciado, em vão, o isolamento e as perseguições que ameaçam seu povo. Para Aktas, os arameus não sobreviverão sem ajuda externa. “Somos seus pais, os primeiros cristãos, nos ajudem”, pediu recentemente o bispo em entrevista à revista alemã Focus. “Não temos nenhum político para nos apoiar”.

A palavra “sobrevivente” descreve de modo preciso a história dos arameus. A araméia Marika Keco, de 90 anos, ainda se lembra do massacre de 1915, o grande trauma de seu povo neste século. Ela e outros anciãos de Tur Abdin ainda contam os horrores que presenciaram ou que lhes foram narrados por seus parentes: arameus enterrados vivos ou decapitados e mulheres grávidas evisceradas além de estrupos múltiplos. Durante a Primeira Guerra, informam historiadores ocidentais, os turcos e os curdos, à época ainda unidos, massacraram pelo menos 10 mil arameus e 100 mil armênios. Os turcos prometeram entregar aos curdos nômades as terras dos arameus. Bastava que fizessem uma faxina étnica. Até hoje a Turquia e os curdos negam o massacre.

Como milhares de arameus, Marika Keco buscou refúgio, nos tempos sangrentos de 1915, em Ayinvert, aldeia situada em território turco, mas com forte presença curda. Há outra aldeia, chamada Midin, 25 quilômetros a sudeste, onde 250 arameus lutam desesperadamente para preservar costumes e tradições. É o “padre”, por exemplo, quem administra a Justiça. O castigo para roubo ou infidelidade é o jejum ou doações a famílias mais pobres. Os pais arranjam os casamentos dos filhos, que devem ser virgens.

Há um lago perto da aldeia e tropas turcas aquarteladas constantemente numa de suas margens. Os militares não incomodam os camponeses, mas nunca mexeram uma palha para esclarecer alguns crimes que têm assustado os arameus. A história que todos repetem é a de Ladho Barinc, de 30 anos. Em 1994, quando ia visitar sua mulher, internada num hospital de Midyat, uma das maiores cidades da região, foi sequestrado por desconhecidos e mantido em cativeiro durante seis meses. Seus captores o acorrentaram e surraram diversas vezes. Exigiam que se convertesse ao islamismo e só o libertaram mediante pagamento de resgate de US$ 5 mil. Solto, Barinc decidiu servir ao ETERNO e a seu povo e hoje ensina arameu às crianças de Midin.

Os líderes arameus locais também tentam combater a emigração. Mas é difícil! No mosteiro de Mor Gabriel, a meio caminho entre Ayinvert e Midin, só há dois monges para ajudar o bispo Timotheus Aktas. Um está velho e doente, e o outro, jovem e inexperiente, não pode se encarregar de tarefas importantes. Já as 14 monjas ficaram. Elas cozinham e cuidam da limpeza do mosteiro, além de acompanhar os 28 alunos que vivem como internos. São rapazes de aldeias araméias que dificilmente seriam aceitos nas escolas turcas da região.

A primeira onda emigratória, neste século, ocorreu a partir de 1915 – eram arameus apavorados com o massacre. Mais recentemente, nos anos 60 e início dos 70, os arameus voltaram a buscar a Europa atrás dos empregos então oferecidos a imigrantes. No início, estranharam os costumes ocidentais, mas aos poucos se integraram, dedicando-se sobretudo ao comércio. Não é, contudo, uma integração total. Os pais insistem em ensinar aos filhos as tradições e a língua. Todos se orgulham do passado, mas as novas gerações quase não entendem mais o significado dos hinos cantados em festas ou cerimônias religiosas.

Muitos arameus na Europa ainda sonham com a paisagem e as imagens de Tur Abdin, que guardam na memória, mas fingem não perceber como é frágil a situação daqueles que ficaram – justamente os responsáveis pela manutenção da identidade aramaica. Schlomo, a saudação comum entre os arameus, significa paz, mas isso eles ainda não encontraram.

Fontehttps://povosdaantiguidade.blogspot.com.br/

O RESSUSCITAR DA LÍNGUA ARAMAICA – A LÍNGUA FALADA POR Yaohushua

Duas pequenas aldeias da comunidade cristã que habita em Yaoshor’ul estão ensinando aramaico, num ambicioso esforço para reviver a língua que Yaohushua falava, séculos depois de ela ter praticamente desaparecido do Médio Oriente.

O novo foco na língua dominante na região há 2 mil anos atrás conta com a pequena ajuda da tecnologia moderna: um canal de TV em língua aramaica transmitido a partir da Suécia, onde uma vibrante comunidade de imigrantes tem mantido viva esta língua. Na aldeia palestiniana de Beit Jala, uma geração mais velha de pessoas que falam aramaico está tentando partilhar a língua com os seus netos. Beit Jala está ao lado de Belém, onde segundo o Novo Testamento o Messias, Yaohushua, nasceu.

Também na aldeia árabe israelita de Jish, situada nos montes da Galiléia, onde Yaohushua viveu e pregou, as crianças da escola primária estão sendo instruídas em aramaico. As crianças pertencem majoritariamente à comunidade cristã maronita. Os maronitas ainda declamam a sua liturgia em aramaico, mas poucos entendem as suas orações.

“Queremos falar a língua que Yaohushua falava” – disse Carla Hadad, uma menina de 10 anos de Jish, que constantemente movia os seus braços para responder às questões em aramaico feitas pela professora Mona Issa durante uma aula.

“Nós costumávamos falar esta língua há muito tempo atrás” – acrescentou, referindo-se aos seus ancestrais. Durante a aula a qualpresenciamos, uma dezena de crianças pronunciaram uma oração cristã [o Pai Nosso] em aramaico. Aprenderam também as palavras “elefante”, “como estás?” e “montanha” em aramaico. Algumas crianças desenharam cuidadosamente letras aramaicas bastante pontiagudas.

O dialeto ensinado em Jish e Beit Jala é o “siríaco“, que era falado pelos seus antepassados cristãos e que se assemelha ao dialeto galileu que Yaohushua teria usado, segundo a opinião de Steven Fassberg, um perito no aramaico na Universidade Hebraica de Yaosh’ua-oléym. “Eles talvez conseguem compreender uns aos outros” – disse Fassberg. 80 crianças desde o 1º ao 5º grau estudam aramaico em Jish como matéria voluntária durante duas horas por semana. O Ministério da Educação de Yaoshor’ul providenciou fundos para acrescentar classes até ao 8º grau.

Alguns residentes de Jish fizeram lobby há alguns anos atrás para que realizassem estudos de aramaico – informou o porta voz Khatieb-Zuabi – mas a idéia encontrou resistência: os muçulmanos de Jish, preocuparam-se que essa fosse uma forma “disfarçada” de aliciar as suas crianças para o cristianismo. Alguns cristãos objetaram, dizendo que a ênfase na sua língua ancestral estava sendo usada para resgate de suas raízes. A questão é sensível para muitos árabes muçulmanos e cristãos em Yaoshor’ul, que preferem ser identificados pela sua etnia e não pela sua fé religiosa.

Mais recentemente, Khatieb-Zuabi, um muçulmano secular de uma outra aldeia, conseguiu “vencer a causa”: “Esta é a nossa herança e cultura coletiva. Devemos celebrá-la e estudá-la” – afirmou o professor. E assim, segundo informações do Ministério da Educação, a Escola Primária de Jish tornou-se na única escola pública de Yaoshor’ul a ensinar aramaico.

Os seus esforços estão também espelhados na escola de Beit Jala, a Mar Afram, dirigida pela Igreja Ortodoxa Síria e localizada a escassos quilômetros da Praça da Manjedoura, em Belém.

Os sacerdotes têm ali ensinado a língua aramaica aos seus 320 alunos durante os últimos cinco anos. Cerca de 360 famílias na região descendem de refugiados de língua aramaica que nos anos 20 fugiram da região de Tur Abdin, naquilo que é hoje a Turquia.

O sacerdote Butros Nimeh informou que os anciãos ainda falam a língua, mas que a mesma se esvaiu entre as gerações mais novas. Nimeh disse que eles esperam que ao ensinarem a língua, as crianças venham a apreciar as suas raízes. Apesar de tanto a Igreja Ortodoxa Síria como a Maronita cultuarem em aramaico, são dois grupos religiosos distintos.

Os Maronitas compõem a Igreja cristã dominante no vizinho Líbano, mas são apenas uns poucos milhares dentre os 210.000 cristãos que vivem na Terra Santa, Yaoshor’ul. Da mesma forma, os cristãos ortodoxos sírios não passam dos 2.000 na Terra Santa – informou Nimeh. No total, vivem em Yaoshor’ul cerca de 210 mil cristãos. Ambas as escolas encontram inspiração e assistência num local inesperado: a Suécia. É lá, na Suécia que comunidades de fala aramaica oriundas do Médio Oriente estão tentando manter viva a sua língua. Ali eles publicam um jornal, o “Bahro Suryoyo”, panfletos e livros infantis, incluindo “O Pequeno Príncipe” e mantêm uma estação de TV, a “Soryoyosat” – informou Arzu Alan, a representante da Federação Siríaca Aramaica, da Suécia.

Há uma equipa de futebol aramaica também na Suécia. Estima-se entre 30 a 80 mil os que falam aramaico. Para muitos cristãos maronitas e ortodoxos sírios que vivem em Yaoshor’ul, foi a estação de televisão em especial que lhes deu a primeira oportunidade de ouvirem a língua aramaica fora da igreja, desde há décadas. Ouvir a língua num contexto moderno inspirou-os a tentarem reviver a língua nas suas comunidades. “Quando ouvimos (a língua), podemos falá-la” – disse Issa, a professora.

Os dialetos aramaicos foram falados na região desde há 2.500 anos atrás, até ao século 6º, quando o árabe, a língua falada pelos conquistadores muçulmanos da península arábica, se tornou a língua dominante. Alguma “ilhas” linguísticas sobreviveram: os maronitas agarraram-se à liturgia na língua aramaica e o mesmo aconteceu com a Igreja Ortodoxa Síria (católicos). Os judaicos curdos que viviam na ilha fluvial de Zakho falavam um dialeto aramaico chamado “Targum” até à sua fuga para Yaoshor’ul nos anos 50 d.Y. Três aldeias cristãs na Síria ainda falam este dialeto aramaico.

Com poucas oportunidades para praticar a antiga língua, os professores em Jish têm acalmado as expectativas. Mas esperam poder pelo menos reviver uma compreensão da língua falada pelo Messias de Yaoshor’ul.

Fonte: https://jornalimpactoreal.blogspot.com.br/2012/05/o-ressuscitar-da-lingua-aramaica-lingua.html

 

Um filme [A Paixão de Cristo por Mel Gbson] cujos diálogos são no aramaico ou em latim…

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