Compartilhe...

Falar em Línguas Hoje: Uma Prática Sem

Base Bíblica e Potencialmente Perigosa

para Sua Vida Espiritual

Este ensaio procurará fazer uma análise objetiva da prática pentecostal/carismática de falar em línguas. Eu não tinha uma posição doutrinária sobre o assunto antes de escrever esta análise. Entretanto, minhas descobertas foram tão preocupantes que senti a necessidade de compartilhá-las com os outros cristãos, bem como com os “buscadores” que possam estar participando de reuniões cristãs onde línguas estranhas são faladas. Portanto, antes de sair desta página, leia pelo menos a introdução abaixo:

by J. Jones

Edição de oCaminho

INTRODUÇÃO: Inicialmente, devo reconhecer que a partir das várias fontes que examinei, falar em línguas é um assunto muito delicado entre os cristãos, principalmente entre os pentecostais… Os praticantes ficam grandemente ofendidos com qualquer crítica que seja feita a essa prática [a ponto de deixar a página (estudo) que está indo de encontro às suas crenças; não agindo como um autentico bereano – At 17:11], enquanto que muitos que não são praticantes a considerem prejudicial. Este é certamente um tópico que dá margem à interpretações muito polarizadas. Isto em si mesmo sugere que todas as partes deveriam se familiarizar, tanto quanto possível, com a base bíblica para a prática e pensar no assunto com muito cuidado!!! A razão para isto deve ser óbvia — se falar em línguas for bíblico, então deve ser uma parte padrão da adoração cristã; entretanto, se não for bíblico, então é algo potencialmente perigoso para qualquer um que esteja envolvido e deve ser abandonado.

O Pano de Fundo

Primeiro, devo falar um pouco sobre minha própria formação. Fui um católico romano até os 19 anos, depois participei ativamente no Movimento da Nova Era durante 33 anos, até vir a Cristo, em 2008. Uma coisa que me deixou chocado quando comecei a conhecer outros cristãos foi o quanto o Cristianismo de hoje está infectado com as crenças e conceitos da Nova Era. Muitas das mentiras que deixei para trás estão na verdade sendo adotadas pelos cristãos e incorporadas em suas vidas espirituais.

O ramo do Movimento de Nova Era em que estive envolvido não incluía falar em línguas, mas fiquei chocado com a incrível similaridade entre as “línguas” dita cristãs e as várias práticas religiosas pagãs e xamânicas em que os cantos rítmicos e a vocalização em transes são utilizados pelos seguidores da Nova Era. Existia também um preocupante paralelo entre o estado “cheio do espírito” de um cristão que falava em línguas e que não compreendia o que dizia, e o estado “cheio do espírito” de um médium em transe.

Além disso, a partir de minha exposição no Movimento da Nova Era durante 33 anos, eu também sabia que o reino sobrenatural está repleto de entidades que estão constantemente procurando algum modo de se conectarem com os humanos. Uma vez que elas se conectem, “alimentam-se” de seus hospedeiros como parasitas invisíveis, causando problemas emocionais, psicológicos e muitos outros. Algumas dessas entidades (ou “demônios”) são mais perniciosas do que outras, de modo que se a pessoa for infeliz o bastante para se envolver com um dos tipos mais perigosos, os efeitos adversos podem ser muitos perturbadores e persistir por vários anos, talvez até durante toda a vida.

Um Ministro Batista Soou o Alerta

No curso de minha pesquisa, encontrei um artigo muito revelador, escrito por um ministro batista australiano que, a partir de uma longa experiência, achou apropriado fazer as seguintes observações surpreendentes: “Entre as grandes ilusões que estão se propagando hoje, não existe nada que seja mais sutil ou perigoso do que o moderno movimento das línguas. Em minha experiência ao longo dos muitos anos observei que, das massas de pessoas que caem sob a influência do fenômeno das línguas, pouquíssimos escapam sem prejuízos emocionais e espirituais a si mesmos e às suas famílias..”..

“Eu e outros estamos testando as línguas na Austrália há alguns anos. Na verdade, existem alguns homens que conheço que estão testando há mais de vinte anos e nenhum de nós já encontrou o genuíno dom bíblico das línguas. Quando o espírito que usa a língua é forçado a se identificar, em 95% dos casos, um demônio responde… Os outros 5% provam ser psicossomáticos [fraudes psicologicas]”. [Bryce Hartin, Today’s Tongues, 1987, Third Edition 1993].

Se o pastor Hartin estiver correto, então essa sua afirmação é de causar calafrios a respeito do fenômeno das “línguas” e deve ser de grande preocupação para todos os cristãos bíblicos.

O Propósito Espiritual das Línguas

De modo a compreender o que são as línguas (bíblicas), precisamos saber a qual propósito elas serviram no plano do Criador, na Redenção. Embora o fenômeno ocorra somente no Novo Testamento, há na verdade uma referência muito importante a ele, no Velho Testamento: “Assim por lábios gaguejantes, e por outra língua, falará a este povo”. [Is 28:11].

Esta passagem profética refere-se ao evangelho, a mensagem do Messias, que “este povo” (os judaicos) se recusarão a ouvir, mesmo quando ela for revelada a eles em “outra língua” (um idioma estrangeiro). Essa recusa é confirmada por Yahshua’yaohuh no verso seguinte: “Ao qual disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir“. [Is 28:12].

Esta é na verdade uma profecia surpreendente, cujo significado tem sido frequentemente negligenciado. Por exemplo, em seu livro Every Prophecy of the Bible (Todas as Profecias da Bíblia), John Walvoord não a identifica. Todavia, ela diz especificamente que virá um tempo em que os judaicos ouvirão a palavra “vivificadora” do Messias sendo falada em um idioma estrangeiro, porém eles a rejeitarão.

Precisamos agora perguntar: Por que o Criador quereria pregar as palavras do ETERNO aos judaicos em uma língua estrangeira? A resposta contém a chave para o dom das línguas!

Vejamos as circunstâncias históricas em que a nação judaica evoluiu. Ela era uma nação separada. O Criador deles, YAOHUH UL’HIM, era profundamente diferente dos “deuses” (ídolos) dos outros povos. Todas as nações estrangeiras, sem exceções, eram pagãs, idólatras que viviam debaixo de uma maldição. Eles não tinham o Criador dos judaicos como sendo seu próprio criador, mas tão somente ídolos. A suposição infundada que eles estavam fazendo, porém, era que os estrangeiros nunca teriam (ou seriam aceitos pelo) Criador, o criador dos judaicos.

Esta atitude, que permeava todo o pensamento rabínico tradicional e a comunidade judaica como um todo, é demonstrada de modo mais admirável na história do profeta Yao’nah. O Criador chamou Yao’nah para advertir uma nação pagã — o povo de Nínive — de uma calamidade iminente. A não ser que eles se arrependessem de seus maus caminhos, a cidade de Nínive seria destruída. Yao’nah ficou extremamente triste com essa ordem do Criador e tentou desobedecer-lha. Para ele era simplesmente impensável que o Criador de Israel se preocupasse com o bem-estar de um povo pagão!

Mesmo depois do Criador o ter arrastado até Nínive, onde pregou a mensagem, Yao’nah sentou-se fora da cidade e aguardou a destruição dela — uma cena que ele desejava ver. Mas, quando a destruição não ocorreu, ele ficou muito decepcionado!

Isto pode parecer como uma atitude muito dura para nós hoje, mas ela destaca a propriedade exclusiva que o povo judaico julgava que exercia sobre YAOHUH UL’HIM. Ele era o Criador deles e de ninguém mais…

Isto se transformou em um grande problema quando os apóstolos começaram a pregar o Evangelho para os estrangeiros, em sua busca pelos gentios (israelitas proveniente da Casa de Israel, o Reino do Norte, espalhado por entre as nações). Naturalmente, quase todos os membros iniciais da igreja primitiva eram judaicos. Mas, eles carregavam consigo exatamente a mesma atitude que tinha sido ferozmente mantida pelos filhos de Israel durante séculos. Na visão deles, a igreja deveria permanecer exclusivamente judaica. A idéia que os gentios e os pagãos, estrangeiros recebessem a permissão de ingressar na igreja [kehiláh] era repulsiva para eles. Até mesmo os apóstolos lutaram com isto e, como o livro de Atos dos Apóstolos revela, eles poderiam ter confinado a igreja aos circuncisos (os judaicos) se Sha’ul não tivesse aparecido e os convencido que Cristo morreu por todos, e não apenas pelos judaicos.

Sha’ul não teria feito progresso algum se, quando apresentou sua perspectiva, os cristãos primitivos (todos os quais eram judaicos ou gentios) não tivessem JÁ observado algo que os tinha surpreendido, isto é, o falar em línguas — o sinal que Yahshua’yaohuh tinha profetizado. Eles tinham testemunhado o santo Espírito [Yaohushua, agora em espírito onipresente – At 2] falar a Palavra no idioma dos pagãos [vs. 5-12]. Isso somente poderia significar que Criador estava convidando os pagãos ao Seu aprisco.

Neste estágio da nossa análise, precisamos entrar nos detalhes específicos e ver onde exatamente as línguas foram usadas no Novo Testamento e quais condições precisaram ser cumpridas antes que elas pudessem ser usadas.

Ocasiões Específicas em Que as Línguas Foram Usadas no Novo Testamento

  • Falar em línguas é mencionado em cinco locais separados no Novo Testamento, como segue:

    Mc 16:17
    At 10:46
    At 19:6
    At 2:1-12
    I Co 12-14.

Vamos examinar uma de cada vez:

  1. E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu Nome expulsarão os demônios;falarão novas línguas[Mc 16:15-17].

Cristo nunca falou em línguas, mas aqui está dizendo que aqueles que “crerem” (seus discípulos) irão por todo o mundo e falarão novas línguas. Isso sugere fortemente que as “línguas” em questão eram os idiomas falados em cada parte do mundo. A palavra grega original para “línguas” é glossa, que significa idiomas. Essas são línguas reais, não línguas inventadas, “línguas celestiais” * , os línguas místicas. Isso também sugere que o dom de falar em línguas serviria, pelo menos em alguns casos, como um modo de contornar a barreira linguística ao propagar a mensagem do Evangelho. Afinal, nada do Novo Testamento tinha sido escrito quando Cristo proferiu essas palavras (profecia)…

* Nota de oCaminho: que anjos são estes que não tem “poder” suficiente para incorporar (uma ação própria dos espíritas e altamente condenável nas Escrituras) uma pessoa e falar em sua própria língua, como fizeram os apóstolos naquele dia!

2. 44-46Enquanto Káfos dizia estas coisas, o RÚKHA HOL’KODSHUA (YAOHUH, o Santo) desceu sobre quantos o escutavam. Os Yaohu’dins que tinham ido com Káfos ficaram maravilhados ao verem que o dom do RÚKHA HOL’KODSHUA (YAOHUH, o Santo) tenha sido derramado também sobre os estrangeiros; e ouviam-nos falar em línguas diferentes, louvando UL. 47Káfos perguntou então: Poderá alguém opor-se a que sejam imersos, agora que receberam do RÚKHA HOL’KODSHUA (YAOHUH, o Santo) tal como nós? 48E assim deu ordem que fossem imersos em Shúam (Nome) de Yaohushua hol-Mehushkháy. Depois Cornélio pediu-lhe que ficasse em sua casa durante vários dias. [Atos 10:44-48].

Esta é a maravilhosa ocasião quando o primeiro estrangeiro não gentio — Cornélio — foi imerso. Os cristãos judaicos que estavam presentes ficaram “maravilhados”, pois nunca tinham imaginado que o santo Espírito   (Yaohushua) estaria com um estrangeiros, considerado imundo [tema deste capítulo] pelos judaicos… Isso significa que o Criador de Israel estava se declarando como o Criador de todas as nações e não apenas para os judaicos. E como eles souberam com certeza que o santo Espírito tinha estado naqueles estrangeiros não gentios? Porque os ouviram falar em línguas (certamente os hebraico, a língua dos judaicos e assim, não houve a necessidade de interpretes entre eles e os estrangeiros romanos). Falar em línguas era um sinal para os judaicos que YAOHUH UL’HIM estava aceitando indivíduos de todas as etnias, tribos, povos e línguas.

3. 4-7Sha’ul explicou-lhes então que a imersão de Yaohu’khanam servia para manifestar o desejo de nos desviarmos do pecado e nos voltarmos para YAOHUH, mas, que os que recebiam essa imersão tinham de dar um passo em frente e crer em Yaohushua, aquele que Yaohu’khanam dissera que viria mais tarde. Logo que souberam disto, foram imersos no Shúam (Nome) de Maoro’hé Yaohushua. Quando Sha’ul lhes colocou as mãos sobre a cabeça, o RÚKHA HOL’KODSHUA (YAOHUH, o Santo) (o Espírito que é Santo) desceu sobre eles, e começaram a falar noutras línguas e a profetizar. Eram cerca de doze homens. [Atos 19:4-7].

Esta foi a ocasião em que, em uma visita a Éfeso [uma cidade grega, consequentemente de língua grega], Sha’ul encontrou cerca de 12 judaicos que tinham sido imersos muitos anos antes por Yaohu’khanan, o Imersor. Como aquele não era a imersão cristã (cf. At 2:38 e não cf. a formula apócrifa da passagem adulterada de  Mt 28:19), Sha’ul os imergiu outra vez [rebatismo]. Quando o santo Espírito usou-os, começaram a falar em línguas. Todos os judaicos que estavam presentes foram novamente deixados com a certeza que o Espírito [Yaohushua, agora onipresente] tinha estado naqueles homens. Além disso, eles podiam ouvir aqueles conversos falarem palavras inspiradas da Verdade (eles “profetizavam”) em uma língua estrangeira (para eles) porem, conhecida dos judaicos – o hebraico, sua língua pátria; e assim, não foi necessário um interprete entre eles, como antes… Esta era uma clara confirmação que Yaohushua hol’Mehuskyah estava dizendo ao mundo que Ele não era apenas o Criador para os judaicos, mas para todas as etnias, povos e nações!

Agora, vamos pegar aquilo que aprendemos até aqui e ver como se aplica ao exemplo de línguas mais conhecido, o que ocorreu em Pentecostes:

4. O RÚKHA HOL’KODSHUA (Yaohushua, agora, em espírito onipresente) desce no Khag Shavúos (Pentecostes)…
1Chegou o dia de Khag Shavúos. 2Estando os crentes reunidos naquele dia, ouviu-se, subitamente em shuã-ólmayao, um som semelhante ao rugido de um furacão, enchendo a casa onde se encontravam. 3-4Apareceram então como que línguas de fogo que pousaram sobre as suas cabeças e todos os presentes ficaram cheios do RÚKHA HOL’KODSHUA (YAOHUH, o Santo), começando falando línguas que desconheciam, pois o RÚKHA deu-lhes esse poder. 5-6Ora, encontravam-se naquele dia em Yaosh’ua-oléym, para assistir às celebrações religiosas, muitos yaohu’dins piedosos vindos de diversas nações. Ao ouvir-se aquele rugido no céu por cima da casa, o povo acorreu para ver o que se passava, e ficaram todos maravilhados ouvindo os discípulos falar nas próprias línguas deles. 7-12Como é que isto pode ser, exclamaram. Estes homens são da Galiléia e, afinal, ouvimo-los falar em todas as línguas dos países onde nascemos! Estamos aqui partos, medos, elamitas, gente da Mesopotâmia, Yaohu’dah, Capadócia, Ponto, Ásia, Frígia, Panfília, Egito, terras da Líbia perto de Cirene, forasteiros vindos de Roma, cretenses e árabes. Todos ouvimos estes homens falar nas nossas próprias línguas os poderosos milagres de UL! E ficaram ali maravilhados, sem saber o que pensar, perguntando uns aos outros: Que quer isto dizer? [Atos 2:1-12].

Considere os seguintes fatos: todos os que ouviram as línguas eram judaicos locais judaicos estrangeiros que tinham vindo a Yah’shua-oléym de países distantes para participarem do Festival de Pentecostes. Como judaicos estrangeiros, eles falavam o idioma de suas origens, de modo que tinham que se esforçar para entender o hebraico, a língua comum em Yah’shua-oléym. Demonstrando poder, o santo Espírito  falou palavras da Verdade pelas bocas dos discípulos [hebraicos] na língua da região geográfica a partir da qual cada visitante judaico tinha vindo. Os idiomas citados no texto eram todos idiomas de nações estrangeiras. Portanto, os demais judaicos [locais] estavam ouvindo louvores a YAOHUH UL’HIM, o Criador de Israel, nas línguas dos povos pagãos — algo que eles nunca esperaram testemunhar, nem em seus sonhos mais desvairados… Daí, alguns (não verdadeiramente convertidos a Yaohushua) zombarem: Estão bêbados? (vs. 13).

Tente imaginar a cena. Minutos após o santo Espírito  [Yaohushua, agora em espírito onipresente cf, Sua promessa – Mt 18:20] vir ao mundo para habitar nos corações dos homens, Ele JÁ estava falando aos gentios e estrangeiros. Este foi um dos sinais sobre os quais Yaohushua falou em Mc 16 e foi o mesmo sinal sobre o qual Yahshua’yaohuh falara 600 anos antes (Is 28:11).

Um ponto crucial a observar é que falar em línguas não foi usado para comunicar o Evangelho [nestas ocasiões]. Os discípulos falaram idiomas terreais reais, cerca de 15 ou 16 listados, mas podiam facilmente ter usado a língua comum de todos os judaicos daquele tempo (o aramaico) — que virtualmente todos os peregrinos conheciam.

Antes de continuarmos a examinar a doutrina das línguas, conforme explicada por Sha’ul em I Coríntios, vamos resumir o que descobrimos até aqui:

  • Falar em línguas somente ocorre na presença de judaicos.
  • Falar em línguas é um sinal para os judaicos.
  • Falar em línguas envolve o uso de idiomas terreais reais.
  • O sentido daquilo que é dito em todos os casos é compreendido por aquele que fala.

Este último ponto pode ser inferido naturalmente a partir dos vários exemplos citados nas Escrituras. Se os faladores estivessem usando linguagem humana, porém um idioma que eles não tinham aprendido, é somente razoável assumir que eles compreendessem o significado daquilo que estavam dizendo. Não faria sentido, dados os casos citados nas Escrituras e a afirmação de Cristo em Marcos 16, os indivíduos envolvidos serem ignorantes do significado de suas palavras. Se uma pessoa diz alguma coisa em uma língua estrangeira que estudou academicamente, ela sabe o que está sendo dito. Da mesma forma, o discurso em uma língua imbuída de forma sobrenatural precisa ser exatamente tão inteligível a quem fala — caso contrário o santo Espírito [Yaohushua] teria falhado em cumprir Sua profecia; feita em Marcos 16.

Vamos agora examinar a doutrina das línguas do apóstolo Sha’ul e ver se nossas descobertas até aqui estão consistentes com o que ele tem a dizer.

O Pano de Fundo Para a Primeira Epístola de Sha’ul aos Coríntios

Para compreender os comentários de Sha’ul sobre as línguas em I Coríntios, precisamos compreender seu propósito geral ao escrever a epístola. Ele tinha sido informado que os cristãos coríntios tinham se afastado em muitos aspectos dos preceitos doutrinários que ele lhes tinha dado e agora queria trazê-los de volta para os trilhos. A partir dos vários comentários que ele faz na epístola, parece evidente que a Igreja em Corinto estava muito longe do padrão satisfatório no modo como lidava com seus problemas [como aspentecostais de hoje]. Eles estavam abusando de seus dons espirituais, envolvendo-se em práticas imorais e sofrendo com “inveja, contendas e dissensões” (I Co 3:3).

Assim, os comentários de Sha’ul em relação às línguas destinam-se a corrigir mal-entendidos entre eles e garantir que dali para frente eles adotassem somente a posição doutrinária rígida no exercício das línguas.

Nota de oCaminho: Inclui no fim deste estudo o texto completo [unitariano; by ESN – Escrituras Sagradas segundo o Nome, EUC – Edição Unitariana Corrigida by CYC] dos capítulos 12, 13 e 14 de I Coríntios, onde você poderá ver todas as referências às línguas.

Iremos agora “dissecar” o que Sha’ul escreveu e tentaremos estabelecer a posição doutrinária correta. Também veremos em que extensão ele confirma o que já descobrimos em nosso exame em Yahshua’yaohuh, Marcus e Atos.

Observação Doutrinária 1

No capítulo 12, Sha’ul explica que existe uma diversidade de dons espirituais e que eles estão distribuídos dentro da igreja. Assim, precisamos concluir que o dom de falar em línguas podia ser possuído por somente alguns membros da igreja.

Observação Doutrinária 2

O capítulo 12 também menciona a interpretação de línguas como um [mais] dom espiritual. Seria um erro sério concluir, como alguns fazem, que isso se refere à interpretação das palavras faladas por uma pessoa que esteja exercendo o dom das línguas. Sha’ul está falando aqui de dois dons espirituais diferentes e interdependentes. O dom da interpretação relaciona-se com a tradução de um sermão ou de um pronunciamento inspirado, a partir de uma língua aprendida de forma natural, para a língua de uma ou mais pessoas na congregação, onde o próprio intérprete não possui naturalmente ambos os idiomas. Ele compreende a fala por meios naturais, ou pode traduzir a mensagem falando em outra língua, que não a sua; ou vice-versa.

A descrição das línguas em Pentecostes torna bem claro que, quando uma pessoa fala em línguas, todos o ouvem em seu próprio idioma. Seria sem sentido inferir que aquilo que uma pessoa diz ao falar em línguas precise ocasionalmente ser interpretado por outra pessoa com o dom da interpretação. Isso implicaria que um dom do Espírito não seria suficiente [poderoso] para seu propósito.

Portanto, podemos concluir que o dom da interpretação de um idioma estrangeiro é totalmente separado e distinto do dom de falar em línguas. Ambos podem ser exercidos no mesmo foro, mas não em relação ao mesmo pronunciamento.

Observação Doutrinária 3

O verso 13:1 (“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine”) é algumas vezes considerado como uma referência de Sha’ul a uma linguagem angelical. Algumas vezes aqueles que adotam essa posição tentam então argumentar que essa linguagem seria por definição ininteligível aos ouvidos humanos. Assim, se alguém ao falar em línguas, falasse em linguagem angélica, não poderia ser compreendido pelos homens e, então, precisaria de interprete!

Existem sérios problemas com este argumento. Primeiro, ele é totalmente inconsistente com outras partes das Escrituras, onde a linguagem falada por uma pessoa que fala em línguas (ou a linguagem ouvida por um ou mais membros da congregação) é uma linguagem real e inteligível para muitos.

Há também um problema com a palavra grega angelos, que é traduzida como “anjos” em muitas Bíblias modernas, incluindo as Almeidas. O significado literal dessa palavra é “mensageiros”. Ela somente é traduzida como “anjos” quando o contexto assim requer, o que não é o caso aqui. Talvez uma tradução mais exata de angelos neste contexto atual seja “emissários” ou “enviados” — conforme indicado pela Concordância de Strong. Isto seria plenamente consistente com o restante da epístola, que concerne à conduta apropriada da congregação em Corinto, o que inclui o líder e os pregadores. (A palavra “evangelista” é eu-angelos, pois um evangelista é um mensageiro da Verdade – Boas Novas).

Uma “linguagem angélica”, neste caso, também está em conflito com aquelas partes da Escritura em que, em qualquer comunicação entre anjos e homens, a comunicação sempre foi realizada em uma linguagem inteligível para o homem, isto é, na forma de comunicação do lado humano. Há também outro problema lógico com o argumento “angélico”. Nunca foi necessário uma linguagem angélica para que os homens fossem compreendidos pelos anjos [que anjo sem poder é este que não conhece a língua daquele com que ele se comunica?].

Destarte, tendo considerado os sérios problemas com o argumento “angélico”, bem como as claras referências encontradas nas Escrituras às línguas como idiomas humanos inteligíveis, podemos com segurança concluir que Sha’ul não está sugerindo por um momento sequer no capítulo 13 que alguém que fala em línguas poderia, em certas circunstâncias, comunicar algo que seus ouvintes não poderiam prontamente compreender.

Observação Doutrinária 4

“O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado”. [I Co 13:8-10].

Em I Co 12:8-10, Sha’ul lista nove dons do Espírito [Yaohushua, agora em espírito onipresente] — sabedoria, conhecimento, fé, curas, operação de milagres, profecia, discernimento de espíritos, línguas e a interpretação de línguas. Mas, nos versos 8-9 do cap. 13, ele declara especificamente que três deles passarão quando “vier o que é perfeito” (vs 10). O que é perfeito é a completa Palavra do Criador, a Bíblia. No tempo em que o apóstolo Sha’ul estava escrevendo, a Bíblia ainda estava incompleta. Os três dons revelatórios que ele diz que passarão são os três que são necessários para completar a Bíblia — conhecimento e profecia divinamente revelados e as revelações dadas por meio do falar em línguas.

Este é um importante pronunciamento feito por Sha’ul. O dom das línguas era temporário. Sha’ul sabia que esse dom estava programado para desaparecer depois que o livro final da Bíblia tivesse sido escrito. Depois disso, os cristãos não deveriam mais esperar testemunhar alguém falar em línguas.

Observação Doutrinária 5

“Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar. Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão ao Criador; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios. Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação. O que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja”. [I Co 14:1-4].

Alguns pensam que a “língua desconhecida” mencionada no verso 14:2 seja uma referência a “falar em línguas” (a tal de “língua dos anjos”), mas este não é o caso. A língua (glossa) é claramente uma linguagem como qualquer outra — o mesmo sentido em que glossa é usada em outros lugares. Devemos observar o que o celebrado Matthew Poole disse sobre esses versos em seu famoso Comentário Bíblico (publicado em 1685): [Poole refere-se a Lightfoot, outro famoso comentarista, que faleceu em 1675].

“Dever-se-ia substituir o “o que fala em língua desconhecida”; por tão somente “outra língua”, pois desconhecida não está no grego original, mas foi necessariamente acrescentado pelos tradutores, pois Sha’ul se refere a esse tipo de língua; ou seja, ele quer dizer uma língua não conhecida por todos, ou, pelo menos, não pela maior parte dos ouvintes. Pode-se perguntar à qual língua “desconhecida” o apóstolo se refere aqui. Devemos pensar que os líderes e mestres na igreja de Corinto eram tão vãos ao ponto de pregar em língua árabe, cita ou parta para um povo que somente compreendia o grego? Nosso douto Lightfoot pensa que isto não seja provável e que se um deles fosse tão vão para fins de ostentação, o apóstolo o teria repreendido por praticar esse abuso e teria proibido a continuação dessa prática, do que dar instrução, que se alguém assim falasse, deveria interpretar, como faz no verso 5. Ele pensa, portanto, que o apóstolo se referia à língua hebraica, que por volta daquele tempo tinha em grande parte sido perdida, por causa da mistura dos judaicos com as outras nações, todavia estava restaurada em grande medida para os líderes das igrejas, para a melhor compreensão das Escrituras do Velho Testamento; e continuava em uso entre os judaicos para a leitura da Lei nas sinagogas. Agora, com a presença de muitos judaicos nesta igreja e o serviço a Criador sendo ordinariamente realizado em língua hebraica nas sinagogas, é muito provável que alguns desses judaicos cristianizados (para mostrar suas capacidades) quando falavam diante da igreja em Corinto, usassem o hebraico, embora poucos, ou ninguém mais entendesse aquele idioma. O apóstolo disse que aquele que assim fazia, falava não aos homens, isto é, não aos homens que não compreendiam aquele idioma, não à sua audiência em geral, embora talvez alguns poucos pudessem compreender, mas ao Criador, que sendo o autor de todos os idiomas, necessariamente conhecia o significado de todas as palavras. “Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão ao Criador; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios”; embora ele possa falar coisas misteriosas para si mesmo e para o entendimento de sua própria vida e espírito. Outros acham que era possível, que alguns que assim falavam, sendo apenas os instrumentos do Espírito, não pudessem eles mesmos compreender tudo aquilo que diziam, mas isto é improvável”.

Em outras palavras, esses grandes eruditos bíblicos, Poole e Lightfoot, eram da opinião que a “língua desconhecida” a qual Sha’ul estava se referindo era o hebraico. O orgulho era um grande problema entre aqueles irmãos “enfatuados” em Corinto, de modo que pareceria que alguns pregadores estavam usando o hebraico como uma prova de sua erudição – como muitos, hoje o fazem – e não para a edificação de seus ouvintes; muitos dos quais possuíam pouca instrução formal. Embora eles pudessem edificar a si mesmos ao falar em hebraico, ou ao usar inúmeros termos em hebraico, eles estavam somente se comunicando com Criador e não com os outros homens ou, como Poole diz, “seus ouvintes em geral”.

Podemos concluir, a partir dos versos 1-4, que Sha’ul estava insistindo que todos os pregadores devem falar aos seus ouvintes em uma língua que todos possam compreender. Isto é confirmado pelo verso 5, que diz:

“E eu quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis; porque o que profetiza é maior do que o que fala em línguas, a não ser que também interprete para que a igreja receba edificação”.

Em outras palavras, se um pregador estiver determinado a pregar em uma língua “desconhecida”, então pelo menos garanta que entre os presentes exista alguém que possa traduzir aquilo que ele disser para a língua comum das pessoas que estiverem na congregação. Pode ser alguém que estudou e aprendeu o hebraico, ou alguém que tenha recebido o dom da interpretação pelo Espírito.

Os seguintes versos têm o objetivo de reforçar esse ponto: “E agora, irmãos, se eu for ter convosco falando em outras línguas, que vos aproveitaria, se não vos falasse ou por meio da revelação, ou da ciência, ou da profecia, ou da doutrina? Da mesma sorte, se as coisas inanimadas, que fazem som, seja flauta, seja cítara, não formarem sons distintos, como se conhecerá o que se toca com a flauta ou com a cítara? Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha? Assim também vós, se com a língua não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz? porque estareis como que falando ao vento. Há, por exemplo, tanta espécie de vozes no mundo, e nenhuma delas é sem significação. Mas, se eu ignorar o sentido da voz, serei estrangeiro para aquele a quem falo, e o que fala será estrangeiro para mim. Assim também vós, como desejais dons espirituais, procurai abundar neles, para edificação da igreja”. [I Co 14:6-12].

O Dicionário Webster (1828), que catalogou rigorosamente a linguagem usada na tradução Autorizada do Rei Jaime (KJV), definiu o verbo “edificar” como segue: “Instruir ou aprimorar a mente em conhecimentos gerais e, particularmente, em conhecimento moral e religioso, em fé e santidade”.

Isto reforça o sentido do que Sha’ul estava tentando comunicar, isto é, que todas as palavras proferidas na igreja devem ter o objetivo de “edificar” os presentes, promovendo um maior conhecimento da fé e da santidade.

Nota de oCaminho: As “Almeidas” (trinitarianas) corromperam tais capítulos de I Coríntios ao ADICIONAR a palavra “desconhecida” para caracterizar o vocábulo “glossa”  = língua. Como tal termo (desconhecida) não consta dos originais gregos, o correto é “outra língua” em vez de “língua desconhecida”; isto em TODAS estas passagens do livro de I Coríntios.

Observação Doutrinária 6

Os cinco versos seguintes desenvolvem um pouco mais a doutrina das línguas: “Por isso, o que fala em outra língua, ore para que a possa interpretar. Porque, se eu orar em uma língua desconhecida para mim, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto. Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento. De outra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o que ocupa o lugar de indouto, o Amém, sobre a tua ação de graças, visto que não sabe o que dizes? Porque realmente tu dás bem as graças, mas o outro não é edificado” [I Co 14:13-17]. Portanto, seria como muitos fazem ao cantar o mais recente sucesso em inglês, mesmo não entendendo o inglês a ponto de nem mesmo saber se está pronunciando corretamente as palavras…

O verso 13 dá origem à seguinte questão: Por que uma pessoa que está falando em outra língua tem de orar “para que a possa interpretar”? Isto é facilmente explicado se compreendermos que a “língua desconhecida” é desconhecida somente para a audiência e não para aquele que está falando. O desafio para quem fala é encontrar as palavras certas no idioma local para que ele possa ser compreendido pelos seus ouvintes. Sha’ul está orientando que, nesses casos, ele deveria orar (talvez antecipadamente) e pedir que o Espírito lhe dê a capacidade de encontrar tais palavras ao nível de seus ouvintes.

Esses versos têm particular consideração para a diversidade das línguas que eram faladas em Corinto, uma agitada cidade cosmopolita com residentes e visitantes de muitas partes do Império Romano. Dentro do espaço de alguns poucos quilômetros quadrados, era possível encontrar de dez a quinze idiomas sendo falados, cada um dos quais era um “idioma estrangeiro” para qualquer um que não o compreendesse. Assim, em uma igreja formada por membros de origem judaica e estrangeira, com níveis mistos de educação formal, era absolutamente vital que qualquer um recebesse exatamente a mesma instrução religiosa. Sha’ul estava perfeitamente ciente que a confusão apareceria se a igreja em Corinto não solucionasse esse problema.

O conselho dele foi tipicamente prático — seja por dons espirituais ou por estudo convencional, seja por meio de recursos próprios ou com a ajuda de terceiros, sempre garanta que tudo o que você disser seja compreendido por todos os ouvintes. Isto é consistente com a epístola como um todo, onde o objetivo principal de Sha’ul era solucionar os problemas práticos e fazer isso de um modo claro e conciso que todos em Corinto pudessem compreender.

Portanto, podemos concluir que os versos 13-17 não apresentam um novo elemento doutrinário, mas simplesmente reforçam a mensagem dada por Sha’ul nos versos 6-12.

Observação Doutrinária 7

“Dou graças ao meu Criador, porque falo mais línguas do que vós todos. Todavia eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida. Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento” [I Co 14:18-20].

No verso 18 Sha’ul está dizendo aos coríntios que, devido ao seu chamado como apóstolo aos gentios [os descendentes da Casa de Israel, o Reino do Norte espalhados por ente as nações], ele tinha mais oportunidade do que qualquer um em Corinto de falar em línguas — ele está se referindo aqui ao dom espiritual das línguas concedido pelo Espírito. Ele certamente adquiriu um grande conhecimento de idiomas no curso de suas extensas viagens.

Se considerado isolado, o verso 19 pode sugerir que Sha’ul algumas vezes falava em línguas (sobrenaturalmente) sem na verdade compreender o que estava dizendo. Mas, isso estaria em conflito direto com tudo o que ele disse até agora. Na realidade, ele está proclamando (no verso 19) que nunca, sob quaisquer circunstâncias, dizia a uma audiência algo que não pudesse ser compreendido! Ele enfatiza isso ao exortar os coríntios (no verso 20) a abrir mão do hábito infantil de pregar em um idioma que a audiência não possa compreender; como fazem hoje, os pentecostais.

É claro então que os versos 18-20 repetem, em termos muito enfáticos, a mesma mensagem dada nos versos 6-17, isto é, “Faça-se compreender!”.

Observação Doutrinária 8

“Está escrito na lei: Por gente de outras línguas, e por outros lábios, falarei a este povo; e ainda assim me não ouvirão, diz o Criador. De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis”. [I Co 14:21-22].

Sha’ul está se referindo aqui a Is 28:11-12, que já discutimos. Ele está confirmando que falar em línguas (de forma sobrenatural) é um sinal aos judaicos (“este povo que não aceitavam ao nosso Redentor”). Como Yahshua’yaohuh refere-se especificamente aos descrentes do povo judaico (“e ainda assim não ouvirão”), esta é a descrença sobre a qual Sha’ul está falando. Não haveria sentido em fazer um pronunciamento inspirado (profecia) a um judaico não convertido, mas meramente testemunhar alguém falando sobre YAOHUH UL’HIM na língua de um povo estrangeiro seria bastante surpreendente para eles.

Estes versos confirmam que Sha’ul sabia que os coríntios estavam falando em línguas mesmo quando judaicos não estavam presentes. Eles estavam fazendo isso simplesmente para impressionar uns aos outros e não pela razão expressa dada nas Escrituras.

Temos uma nova conclusão doutrinária aqui, isto é, que falar em línguas era um sinal para os judaicos e somente para os judaicos.

Observação Doutrinária 9

“Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos? Mas, se todos profetizarem, e algum indouto ou infiel entrar, de todos é convencido, de todos é julgado. Portanto, os segredos do seu coração ficarão manifestos, e assim, lançando-se sobre o seu rosto, adorará ao Criador, anunciando que o Criador está verdadeiramente entre vós”. [I Co 14:22-25].

Os “infiéis” no verso 23 estão ligados com os “indoutos”. Assim, Sha’ul está se referindo aqui aos gentios descrentes [israelitas]. Ele diz que quando esses indivíduos compareciam a um serviço da igreja e ouviam muitos na congregação falar em línguas (por meio do dom concedido a eles pelo Espírito), eles naturalmente pensariam que os “cristãos estavam loucos”. Se compreendessem o que estava sendo dito de forma sobrenatural, eles não ficariam confusos e não pensariam que os cristãos coríntios estavam loucos. O problema é que, por não serem judaicos, eles não compreendiam o que estava sendo dito. Os coríntios estavam fazendo mau uso do dom das línguas. Com isto, eles estavam somente confundindo os indivíduos sinceros que compareciam às reuniões da igreja para ouvir o Evangelho de Cristo. Se eles enfocassem apenas a pregação do Evangelho de um modo bíblico e inspirado (profetizando), então esses visitantes poderiam prontamente compreender e vir a Cristo.

Observação Doutrinária 10

“Que fareis pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. E, se alguém falar em outra língua, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com o Criador. E falem dois ou três profetas, e os outros julguem. Mas, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro. Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros; para que todos aprendam, e todos sejam consolados” [I Co 14:26-31].

Sha’ul censura os coríntios por serem tão ansiosos em expressarem suas aptidões evangélicas que negligenciavam aquilo que era realmente importante — a edificação dos ouvintes. Ele pede que eles limitem o número dos que falam ou pregam a dois ou três. Se um deles estiver falando em uma língua que parte da audiência não compreende, então que outra pessoa interprete aquilo que está sendo dito para que todos os presentes sejam edificados. Se não houver alguém que possa interpretar, então aquele indivíduo deve permanecer calado e orar a Criador.

Ele os faz lembrar também que, se o Espírito motivar outra pessoa a falar, pode fazer isso para o benefício de todos, mas não de forma a criar confusão. Cada um deve falar, um de cada vez, de forma ordeira.

Observação Doutrinária 11

“E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas. Porque o Criador não é um Criador de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos” [I Co 14:32-33].

O verso 32 diz que as faculdades dos santos ou profetas (aqueles que estão falando) devem estar o tempo todo sob o controle deles mesmos. A palavra traduzida como “espírito” é pneuma (Strong, item 4151), o que significa mente racional ou disposição mental. Em hipótese alguma deve um cristão falar na igreja sem ter pleno controle ou sem compreender suas palavras e ações, pois Criador não é o autor de confusão.

Observação Doutrinária 12

“As vossas mulheres estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é vergonhoso que as mulheres falem na igreja. Porventura saiu dentre vós a palavra do Criador? Ou veio ela somente para vós? Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Criador. Mas, se alguém ignora isto, que ignore. Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar, e não proibais falar línguas. Mas faça-se tudo decentemente e com ordem”. [I Co 14:34-41].

Usando as “Almeidas” (e outras trinitarianas) Sha’ul está impondo uma disciplina rígida aqui. Nos versos 36 e 37 ele diz que, independente do que alguém em Corinto possa pensar — não importa quem seja — aquilo que ele, Sha’ul, diz aqui é para ser seguido por todos, exatamente como definido. Ele não os proíbe de falar em línguas, mas somente podem fazer isso da forma como eles os instruiu. A palavra traduzida como “decentemente” (euschemonos) também significa “honestamente”. Ele deseja que eles ajam de forma honesta nesta questão e que mantenham os preceitos de ordem que ele delineou para eles.

Mas, também disse que as “mulheres estejam caladas“… Poucos ousam interpretar tais palavras quando estudam estas passagens para APOIAR ou NÃO o Dom de Língua (estranha ou não)! Mas, se lermos tal passagem em uma Escritura Sagrada Unitariana, toda confusão (ou machismo) é desfeita; veja: “As mulheres devem ficar calmas durante as reuniões na Oholyáo. Não devem tomar parte nas discussões. Sejam submissas, tal como manda a Tanakh. Se tiverem questões a apresentar, que o façam em paz como fazem aos seus maridos, em casa; não é próprio para as mulheres se exaltarem nos cultos da Oholyáo” [I Co 14:34, 35]. Sha’ul, preservando a fragilidade feminina!!!

Resumo do Dom Bíblico de Falar em Línguas

A partir desta nossa análise, podemos ver que a Bíblia é muito específica sobre o papel das línguas, como e quando esse dom do Espírito podia ser usado. A Bíblia definiu algumas condições que tinham de ser satisfeitas antes que isso pudesse ser feito de uma maneira sadia. As condições são as seguintes:

  • Judeus precisam estar presentes.
  • Os judaicos precisam ser descrentes — ao contrário da evangelização dos gentios.
  • A “língua” precisa ser uma linguagem natural falada pelos homens.
  • Quem fala precisa compreender o que está dizendo.
  • Quem fala precisa ter pleno controle sobre aquilo que está dizendo.
  • O dom cessaria quando a Bíblia ficasse completa (isto é, por volta do ano 100 d.Y, quando o Apocalipse foi escrito)

Usando essas conclusões bíblicas, podemos responder à diversas questões que os cristãos modernos têm a respeito do dom das línguas:

Podem os cristãos modernos “falar em línguas” de um modo biblicamente correto?

A resposta é obviamente não. Isto não impede a possibilidade de que o Criador possa fazer uma pessoa falar espontaneamente em outro idioma, como fez com a mula de Balaão, mas as Escrituras dizem que o dom bíblico das línguas cessou para aquela finalidade.

Os pentecostais e carismáticos “falam em línguas” na oração privada — isto é biblicamente aceitável?

Novamente, a resposta é não. As línguas bíblicas não eram uma forma particular de oração. Elas tinham um propósito muito específico, que era servir como um sinal para os judaicos. O dom das línguas era demonstrado em um foro público.

Os pentecostais e carismáticos “falam em uma forma ininteligível de línguas” — isto é biblicamente aceitável?

Novamente, não. A Bíblia mostra claramente que falar em línguas sempre envolvia expressar-se em uma linguagem conhecida em alguma parte do mundo. Além disso, precisava ser um idioma compreendido por pelo menos uma pessoa no recinto.

Os pentecostais e carismáticos que “falam em línguas” geralmente não sabem o que aquilo que proferem de forma ininteligível significa — isto é biblicamente aceitável?

Absolutamente não. Mais uma vez, a Bíblia é muito clara sobre isto. Quem fala precisa sempre compreender o significado daquilo que está dizendo.

Os que “falam em línguas” hoje frequentemente perdem o controle dos movimentos de seus corpos — isto é biblicamente aceitável?

Não, não é. A Bíblia diz que quem fala precisa sempre estar em pleno controle de si mesmo.

Que Espírito Está Trabalhando por Meio Daqueles Que “Falam em Línguas” Hoje?

Esta é uma questão muito delicada e dolorosa de responder. Muitos pentecostais são cristãos maravilhosos e desprendidos, profundamente dedicados a viver uma vida cristã. Entretanto, é óbvio a partir da análise nas Escrituras que realizamos que o Espírito não confere mais o dom das línguas. Portanto, se os cristãos modernos estão “falando em línguas”, eles estão fingindo (talvez até para si mesmos) na melhor das hipóteses, expressando uma forma aberrante (possivelmente inócua) de comportamento mental. Porém, na grande maioria, estão respondendo à uma influência sobrenatural de origem imunda [possessos por demônios]. Não é à toa que temos Mt 7:21-23 nas Escrituras!!!

É esta última explicação que deve ser de maior preocupação. As duas primeiras explicações (auto-engano e comportamento aberrante) são más o suficiente no sentido que desviam os cristãos de orarem ao Criador, conforme Ele deseja, e apresentam um retrato de um Cristianismo distorcido para o mundo. Quantos milhares já rejeitaram o Evangelho por causa do modo estranho com o qual cristãos supostamente devotos que falam em línguas estavam se comportando?

Entretanto, o elemento demoníaco é que é verdadeiramente perigoso. Muitos observadores já notaram o quão erráticos e desbalanceados os pentecostais e carismáticos que “falam em línguas” podem se tornar em suas vidas emocionais e o quão sedentos eles estão por sinais e demonstrações da providência divina. Para eles, a ênfase está na experiência, e não na fé — exatamente como no Movimento de Nova Era. E, experimente você mostrar-lhes a Verdade!!!

Citamos os comentários do pastor Bryce Hardin no início deste ensaio e sua grande preocupação com o estrago que o falar em línguas está fazendo, tanto para os cristãos individuais quanto para o Cristianismo em geral. Ele diz que já viu incontáveis casos em que pessoas que falavam em línguas ficaram sujeitas a sérias e prolongadas perturbações quando se abriram para “o espírito”. Dificilmente ocorria a qualquer uma dessas pessoas que o espírito envolvido não era Yaohushua, em espírito onipresente (desde o Pentecostes), mas uma entidade demoníaca que se mascarava como um ser benigno – II Co 11:14.

Com minha própria experiência no Movimento de Nova Era, é óbvio para mim que muitos cristãos hoje pensam no Espírito [Yaohushua] como uma força e não como uma pessoa (ou talvez parcialmente como uma força e uma pessoa). Assim, elas imaginam que possam chamá-lo(a), mais ou menos como um fluído sutil dos céus. Este é um erro verdadeiramente horrendo e que está fazendo um imenso mal ao Cristianismo hoje. O Espírito é uma pessoa e somente uma pessoa. Ele não pode ser invocado como uma força ou uma energia. Ele também não pode receber ordens para fazer isto ou aquilo.

Lembre-se que Yaohushua NUNCA orava ao “espírito” (o terceiro deus dos trinitarianos); Ele SEMPRE orava ao Pai Celestial [YAOHUH UL’HIM]. Isto certamente nos diz alguma coisa. Parece que, exceto nos casos de pura ingenuidade, todos os praticantes das línguas estranhas estão terrivelmente confusos a respeito do verdadeiro Cristianismo bíblico e estão motivados principalmente pelo orgulho [egoísmo], a crença que de algum modo eles podem se dirigir ao “espírito” (o que Yaohushua nunca fez) e dizer-lhe o que fazer.

Ninguém gosta de ouvir isto e eu certamente não gosto de ter de dizer isto. Mas, após 33 anos no Movimento de Nova Era, quando finalmente vim a Cristo, fiquei realmente chocado em ver quantos cristãos tinham se tornado praticantes de Nova Era pela porta dos fundos, quantos tinham perdido sua fé em Cristo e substituído a fé por uma filosofia experimental que na verdade está em conflito com a Verdade bíblica. Os cristãos parecem ter se esquecido do quão perigoso satanás é e quantas versões falsificadas de Cristianismo ele já criou para enganar os incautos e atraí-los para sua rede de enganação.

A partir de longos anos de estudo neste campo, não tenho a menor dúvida que falar em “línguas estranhas”, ser ferido (ter desmaios ou ser possesso) no espírito, a Bênção de Toronto (também chamada de Reavivamento do Riso), e fenômenos similares são totalmente demoníacos em sua origem; uma forma disfarçada de feitiçaria que apresenta uma ameaça espiritual real para qualquer um que seja tolo o bastante para se envolver nessas práticas.

A maioria dos cristãos não está familiarizada com Grimoires, coleções de maldições e encantamentos mágicos muito antigos. Eles foram criados para conjurar e controlar os espíritos das trevas para propósitos mágicos. Muitas dessas maldições e encantamentos estão em latim (como os encantamentos que aparecem nos livros da série Harry Potter), porém outros estão em grego, inglês arcaico, hebraico e árabe. Assim, é muito fácil para um demônio induzir um cristão a proferir uma dessas maldições sob a crença errônea que está falando em línguas. Por exemplo, se você ouvisse alguém entoar “jam tibi impero”, poderia imaginar que isto é uma oração que lhe foi dada pelo Espírito. Na verdade, são as três palavras iniciais de um encantamento mágico para dar ordens a um demônio tenebroso.

Muitos cristãos acreditam erroneamente que falar em línguas seja um fenômeno exclusivamente cristão. Na verdade, não é nada disto. Muitas outras culturas e tradições religiosas, incluindo o Vodu e a Santeria, praticam as “línguas”. O fenômeno também é bem conhecido entre os seguidores da Falun Gong, o movimento religioso chinês que está baseado na antiga arte ocultista do Qigong. Por exemplo, “… centenas de pessoas em Pequim compareceram recentemente para uma tarde de risadas descontroladas até ao ponto de rolar no chão, danças em transe, curas pela fé e ‘falar em línguas'”.. Eles estavam participando de uma reunião da Falun Gong, organizada por Li Hongzhi, que por volta de 1995 afirmou ser o “salvador onisciente e onipotente de todo o universo”. (Citado em Qigong Fever: Body, Science and Utopia in China, David A Palmer, Columbia University Press, 2007).

Em um encontro no Congresso, na cidade de Washington, em maio de 2005, o professor David Ownby fez uma apresentação sobre as religiões não-oficiais na China, em que discutiu Qigong e Falun Gong: “Chefiados por mestres carismáticos, o movimento prometia curas milagrosas e poderes sobrenaturais, que podem ser obtidos por meio de exercícios físicos, meditação, visualização, transe e/ou ‘falar em línguas’. Fenômenos paralelos no Ocidente seriam chamados de novos movimentos religiosos ou Movimentos de Nova Era”.

Falar em línguas também existe na Kundalini Yôga, que envolve despertar o “poder da serpente” na base da espinha dorsal — uma prática ocultista muito perigosa.

Em seu livro Devatma Shakti (Kundalini): Divine Power, o swami Vishnu Tirtha cita algumas das características relevantes, com base em um tratado escrito por seu guru, Shri Yogãnandji Mahãrãja: “Quando seu corpo começa a tremer, os cabelos ficam eriçados, você ri ou começa a chorar sem desejar, sua língua começa a proferir sons deformados, você fica tomado por um temor ou vê visões atemorizadoras… a Kundalini Shakti se tornou ativa..”.

“Quando em seguida você se senta com os olhos fechados, então em um instante o corpo começa a mostrar atividades como fazer os braços e as pernas se estenderem forçadamente, sons deformados serem proferidos em voz alta, você começa a proferir sons parecidos com as vozes de animais, como pássaros, sapo, leão, chacal, cachorro, tigre, que inspiram medo e não são agradáveis de se ouvir, compreenda que a Grando Criadora Kundalini entrou em ação..”.

“Logo depois que você se assenta para as orações, seu corpo começa a tremer e em êxtase de alegria você começa a cantar hinos em tons de música agradáveis de ouvir e cuja composição e poesia vêm involuntariamente, suas mãos batem palmas ritmicamente e você pronuncia palavras em uma língua estranha que não conhece, mas o som produz êxtase em sua mente, saiba que a Criadora da linguagem, Saraswati, despertou e entrou em ação”.

Se você acha que o Espírito está envolvido em qualquer um desses fenômenos, está terrivelmente enganado. Eles são total, completa e profundamente demoníacos. Os demônios [nomes] são até mesmo citados — Shakti, Kundalini and Saraswati.

Vou encerrar com uma chocante advertência feita pelo pastor Bryce Hardin: “Até tempos recentes, o Espiritismo estava em geral desacreditado. Seus supostos fenômenos eram ridicularizados e seus médiuns eram rejeitados como impostores. Tudo isto agora mudou. A prática do Espiritismo em uma forma ou outra se tornou agora aceitável na sociedade, mas ainda mais, seu aparecimento no segmento da igreja cristã que fala em línguas na verdade o tornou respeitável. O caminho está agora sendo preparado para novas esferas cada vez mais amplas de atividade demoníaca e para o fornecimento de novos e mais eficientes canais humanos por meio dos quais esses espíritos enganadores poderão operar”.

“Alguém já disse muito bem que a separação entre o natural e o sobrenatural é feita por uma parede muito fina em alguns locais. Este é certamente o caso aqui. Com o surgimento nos últimos cem anos do movimento das línguas estranhas, com seu poderoso apelo emocional e suas curas psíquicas, satanás criou agora para si mesmo uma nova fonte de autoridade e esses ensinos, tendo obtido respeitabilidade, abrem a porta ainda mais para outras doutrinas de demônios”. — Today’s Tongues, 1987, pág. 12

Bibliografia Selecionada

Cloud, David, The Pentecostal-Charismatic Movements.
Fitton, Paul, The Alpha Course: Is it Bible-based or Hell-inspired?
Hartin, Bryce, Satan Wants Your Mind, Today’s Tongues
Legrand, Fernand, All About Speaking in Tongues.
MacArthur, John Jr, Speaking in Tongues.
Nelte, Frank, Should You Speak in Tongues?
Strauss, L and Niland, B, Is Speaking in Tongues Demonic?
Unger, Merrill, Biblical Demonology. What Demons Can Do to Saints.
Younce, Max, Fact to Face with Tongues.

Apêndice: Cap 12, 13 e 14 retirados da ESN – Escrituras Sagradas segundo o Nome! [EUC]*
 

Alef Qorintyah 12

Os dons espirituais

1E agora, irmãos, quero escrever-vos acerca dos dons espirituais, pois é preciso que não haja qualquer confusão a esse respeito. 2Lembram-se que antes de se tornarem yaohushua’him eram levados a adorar ídolos, que nunca vos diziam uma só palavra. 3Portanto quero que saibam como discernir o que é verdadeiramente de UL. Pois é desta maneira: Ninguém que fale pelo RUK’HA-UL’HIM (UL’HIM, em Espírito onipresente), poderá dizer, Yaohu’shua é maldito, e ninguém pode dizer conscientemente, Yaohu’shua é UL, se não for impulsionado por hol’kod-shua RUK’HA (o santo Espírito). 4Ora há diferentes espécies de dons espirituais, mas, é no mesmo RUK’HA[1] que todos eles procedem. 5Há várias espécies de serviço para YAOHUH, mas, é ao mesmo YAOHUH que estamos a servir. 6Há muitas formas, de UL trabalhar nas nossas vidas, mas, é sempre o mesmo UL quem faz o trabalho em nós. 7O RUK’HA (UL, em espírito onipresente) manifesta-se por intermédio de cada um de nós, para o que for útil à oholyao. 8A uma pessoa, o RUK’HA (UL, em espírito onipresente) concede o dom da sabedoria; a outro, o dom do conhecimento, e tudo isto vem do mesmo RUK’HA (UL, em espírito onipresente). 9A um outro, dá uma fé especial, e, a outro ainda, o poder de curar doentes. 10Um tem o poder de fazer milagres, outro o de falar em Shuam (Nome) de UL. A outra pessoa dá a capacidade de distinguir os espíritos [maus ou bons]. A uma pessoa, dá o poder de falar línguas que nunca aprendeu e, a outra pessoa, o de ser capaz de interpretar o que aquela outra diz. 11E é sempre o mesmo e único RUK’HA (UL, em espírito onipresente) que dá todos estes dons, decidindo aquilo que deve ser atribuído a cada um.

Um corpo, muitas partes

12O nosso corpo tem muitas partes, mas, o conjunto constitui um só corpo. Assim é também o corpo de hol’Mehushkyah: cada um de nós é uma parte do corpo. 13Uns são yaohu’dins, outros gentiles; uns são escravos, outros são livres. Mas, todos nós fomos imersos no corpo de hol’Mehushkyah neste RUK’HA (espírito), e todos nós recebemos do mesmo RUK’HA (UL, em espírito onipresente). 14Sim, o corpo tem muitas partes; não é constituído só de uma parte. 15Se o pé disser, Eu não faço parte do corpo porque não sou mão, não é por isso que ele deixa de ser parte do corpo. 16E se o ouvido se pusesse dizendo, Não pertenço ao corpo porque podia ser um olho, e afinal não passo de uma orelha. Seria por isso que faria menos parte do corpo? 17Vamos supor que todo o corpo fosse olho; como é que se podia ouvir? Ou então se todo ele fosse um enorme ouvido, como se poderia cheirar? 18Mas, YAOHUH formou-nos com muitas partes, e cada uma com a sua função própria.

1920E que coisa estranha seria um corpo humano com uma só parte! Mas, não, são muitas as partes, mas, um só o corpo. 21O olho nunca poderá dizer para a mão, Não preciso de ti. Nem a cabeça poderá dizer aos pés, Vocês são-me inúteis. 22De fato, algumas, partes que parecem mais fracas e menos importantes são realmente as mais necessárias. 23E as partes que consideramos menos dignas são aquelas que vestimos com o maior cuidado. Protegemos cuidadosamente do olhar dos outros aquelas partes que não deveriam ser vistas, 24enquanto que há outras partes que não precisam deste cuidado especial. Assim YAOHUH juntou o corpo de tal maneira que são dadas honras extra às partes que têm menos dignidade. 25Assim é criada uma harmonia entre os membros, de maneira que todos os membros cuidam uns dos outros igualmente. 26Se uma parte sofre, todas as partes sofrem com ela, e se uma parte é honrada, todas as partes ficam satisfeitas.

2728Ora vocês formam o corpo de hol’Mehushkyah, e cada um separadamente constitui uma parte necessária desse corpo. É, pois assim que na oholyao de Maoro’eh Yaohu’shua colocou-se, em primeiro lugar, emissários; em segundo, profetas; em terceiro, ensinadores; e depois os que fazem milagres, os que têm o dom de curar, outros o dom de ajudar o semelhante, outros sabem administrar a oholyao, e outros ainda falam em línguas que nunca aprenderam.29Deverão ser todos emissários? Serão todos pregadores ou profetas? Tornar-se-ão todos ensinadores? Poderá todos fazer milagres? 30Podem todos curar os doentes? Dá-nos YAOHUH a todos, capacidade de falar línguas que não conhecemos? Pode qualquer pessoa interpretar o que aqueles que têm esse dom dizem? Claro que não.

31Contudo esforcem-se por serem capacitados com os dons mais importantes.

 

Alef Qorintyah 13

O amor

1Mas deixem-me mostrar-vos o caminho mais excelente! Ainda que eu falasse as línguas dos homens ou até mesmo dos mensageiros, mas, não fosse capaz de amar os outros, não seria mais do que um metal que soa ou como um sino que faz barulho. 2Se eu tivesse o dom de falar em Shuam (Nome) de UL, e se soubesse os enigmas do futuro e se conhecesse tudo acerca de tudo, mas, não amasse os outros, de que me serviria isso? E até mesmo que tivesse fé de forma a poder falar a uma montanha e fazê-la deslocar-se, isso não teria valor algum sem o amor. 3Ainda que desse tudo aos pobres, ainda que deixasse que me queimassem vivo, mas, se não amasse os outros, eu não teria nenhum valor. 45O amor é paciente e bondoso. Não é invejoso, nem orgulhoso; não é arrogante, nem grosseiro. O amor não exige que se faça o que ele quer. Não é irritadiço e dificilmente suspeita do mal que os outros lhe possam fazer. 6Nunca fica satisfeito com a injustiça, mas, alegra-se com a verdade. 7O amor nunca desiste, nunca perde a fé, tem sempre esperança e persevera em todas as circunstâncias[2].8Todos os dons e capacidades especiais que vêm de UL terminarão um dia, porém, o amor há de sempre continuar. Um dia, tanto a profecia, como o falar línguas estrangeiras, como a sabedoria espiritual, todos esses dons desaparecerão. 9Nós agora sabemos muito pouco, mesmo com a ajuda desses dons especiais; e até a pregação mais inspirada é ainda muito imperfeita. 10Mas, quando chegar o que é Perfeito, estes dons especiais desaparecerão[3].11É assim: quando eu era criança, falava, pensava, raciocinava como uma criança. Mas, quando me tornei adulto deixei as coisas de criança. 12Da mesma maneira, nós agora compreendemos imperfeitamente as coisas como se estivéssemos vendo um reflexo num espelho de má qualidade[4]; mas, um dia virá em que veremos de uma forma completa, face a face. Tudo quanto sei agora é parcial, mas, depois verei tudo com clareza; como UL conhece o interior do meu coração. 13Há três coisas que hão de perdurar: a fé, a esperança e o amor; e destas a principal é o amor.

 

Alef Qorintyah 14

Os dons de profecia e das línguas

1Que o amor seja o vosso fundamental objetivo; mas, aspirem também com zelo aos dons que o RUK’HA (UL, em espírito onipresente) vos dá, e especialmente o dom de pregar a mensagem de UL. 2Aquele que fala em outra língua fala com YAOHUH, mas, não com os outros, visto que os outros não poderão entendê-lo. É verdade que poderão estar falando pelo poder do RUK’HA (UL, em espírito onipresente), mas será como um mistério. 3Aquele que profetizar estará ajudando os outros a crescerem em YAOHUH, encorajando-os e confortando-os. 4Uma pessoa que fala outra língua estará ajudando a si mesmo, mas, aquele que prega em Shuam (Nome) de UL ajuda toda a oholyao a crescer. 5Gostaria que todos falassem em outras línguas, mas, muito mais ainda que todos fossem capacitados falando da mensagem de UL, porque isso representa um poder espiritual muito maior do que falar línguas estrangeiras, a não ser que alguém interprete o que está dizendo, para que os outros possam obter disso algum proveito espiritual. 6Queridos irmãos, ainda que eu próprio viesse ter convosco falando-vos numa língua que não entendessem, como é que vos poderia ajudar? Mas, se vos disser com toda a simplicidade o que YAOHUH me revelou, e vos relatar aquilo que sei, e aquilo que há de acontecer, e enfim todas as grandes verdades da Palavra de UL, isso é que vos poderá ajudar. 7Até os instrumentos de música, a flauta, por exemplo, ou a harpa, demonstra a necessidade de que tudo o que se exprime seja com clareza, com nitidez. Ninguém reconhecerá a melodia que o instrumento estiver tocando, se cada nota não soar com clareza.8E se na batalha o corneteiro não tocar notas certas, como é que os soldados saberão que estão sendo chamados para a batalha? 9De igual forma se, se falar com alguém numa linguagem que ele não entenda, como é que ele há de saber o que lhe estão dizendo? Seria a mesma coisa que falar numa sala sem ninguém. 10Suponho que haverá centenas de línguas diferentes neste mundo, e que todas elas exprimem bem o pensamento daqueles que as falam. 11Mas, se eu não souber o sentido daquilo que dizem alguém que me fale numa dessas línguas será sempre para mim um estrangeiro, tanto como eu para ele. 12Visto que desejam ter dons do RUK’HA (UL, em espírito onipresente) peçam para ter os que serão de real utilidade para toda a oholyao. 13Se a alguém é concedido o dom de falar em uma língua estrangeira, deve também orar para que lhe seja dado o dom de interpretação, a fim de que o possa depois dizer explicitamente aos outros o que estava falando. 14Porque se eu orar em uma língua que eu desconheça, o meu espírito ora, mas, no meu entendimento eu não sei o que estou dizendo[5]. 15Pois bem, que devo então fazer? As duas coisas: orarei no RUK’HA (espírito), e orarei com palavras que eu entendo; cantarei no RUK’HA (espírito) e cantarei com palavras que eu entendo. 16Porque se louvarem a YAOHUH de uma forma espiritual, sem que o entendimento acompanhe o que estão dizendo numa língua desconhecida, como é que aqueles que estão presentes vos podem acompanhar no louvor a YAOHUH se não sabem o que vocês estão dizendo? 17Podem até estar dizendo coisas muito belas, mas, que não serão de ajuda nenhuma para quem ali está. 18Eu dou graças a YAOHUH porque falo em várias línguas, mais do que qualquer um de vocês. 19Mas, num culto público preferiria muito mais dizer uma frase apenas, com cinco palavras que fosse, mas, que todos compreendessem e que a todos ajudasse, do que um discurso de milhares de palavras numa língua estrangeira. 20Queridos irmãos, não sejam como meninos quanto à compreensão destas coisas. Quando se trata de imaginar o mal, aí sim, convém que sejam como meninos inocentes; mas, procurem entender as coisas desta natureza com a inteligência madura de pessoas adultas. 21As Tanakh dizem-nos: Enviarei homens de outras terras para falar em suas línguas ao meu povo, diz o Criador, e mesmo assim não hão de escutar[6]. 22Vêem então que o falar em outra língua pode ser um sinal para os descrentes. Enquanto que anunciar a mensagem de UL é para os crentes.23Com efeito, se um descrente vem à oholyao e vos ouve falar em outras línguas, bem poderá pensar que estão todos fora do seu perfeito juízo. 24Mas se estiverem a apresentar a mensagem de UL e se um estranho à oholyao entrar, ou alguém que ainda não compreenda tudo, em todo o caso tem a possibilidade de ser convencido, e a sua consciência será sensibilizada por tudo aquilo que ouvir. 25À medida que for ouvindo, os seus pensamentos mais íntimos serão postos a nu perante YAOHUH e no seu espírito, cairá diante de UL, adorando-o e confessando que YAOHUH está na verdade no vosso meio.

Ordem nas reuniões da oholyao

26Pois bem, irmãos, resumamos o que já se disse. Quando se reúnem, um canta um hino, outro tem um ensinamento, um outro tem algo especial que YAOHUH lhe revelou, outro fala numa língua estrangeira, enquanto outro interpreta o que foi dito por aquele. Mas, tudo o que for feito deve ser de utilidade para todos e seu crescimento em YAOHUH. 27Não deveriam falar mais do que dois ou três em línguas estrangeiras, e que fale um de cada vez, havendo sempre alguém para interpretar. 28Mas, se não houver ninguém que interprete, devem ficar em silêncio[7] na reunião da oholyao e fala em uma língua [diferente] consigo próprio e com YAOHUH. 29Também dois ou três podem dizer a mensagem de UL, cada um por sua vez, se tiverem o dom para tal, enquanto os outros devem ouvir atentamente. 30E se, enquanto alguém está falando a palavra de UL, outra pessoa receber uma revelação de UL, aquele que está falando deve terminar. 31Assim, pois todos os que têm uma profecia podem falar, mas, um após o outro; dessa forma todos aprenderão e serão ajudados. 32Lembrem-se de que uma pessoa que tenha uma mensagem de UL deve ser capaz de conter a si próprio e de esperar pela sua vez. 33YAOHUH não pode aceitar a desordem. UL ama a harmonia; e é isso que ele deseja encontrar em todas as oholyaos. 34As mulheres devem ficar calmas durante as reuniões na oholyao. Não devem tomar parte nas discussões. Sejam submissas, tal como mandam a Tanakh. 35Se tiverem questões a apresentar, que o façam em paz como fazem aos seus maridos, em casa; não é próprio para as mulheres se exaltarem nos cultos da oholyao.36Será que vocês pensam que o conhecimento da palavra de UL começa e acaba unicamente em vocês, coríntios? Pois bem, estão enganados! 37Vocês que conclamam ter o dom de falar em Shuam (Nome) de UL, e outras capacidades da parte do RUK’HA (UL, em espírito onipresente), deveriam ser os primeiros a perceber que o que estou dizendo é um mandamento da parte de UL. 38Mas, enfim, se alguém continua discordando, não temos mais que o deixar na sua ignorância. 39Portanto, meus irmãos na fé, procurem ansiosamente pregar em Shuam (Nome) de UL a sua mensagem com toda a nitidez; e não impeçam quem fala em outras línguas! 40Certifiquem-se de que tudo é feito em ordem, e sempre da forma mais decente e conveniente.

*[EUC] – Edição Unitariana Corrigida by CYC – Congregação Yaoshorul’ita o Caminho


Notas de Rodapé da ESN

[1] Rukha Yaohu’shua [hol’Mehushkyah, em espírito onipresente – At 20:28] é que concede dons…

[2] Temos aqui cerca de 15 características humanas dadas ao AMOR e nem por isto dizemos que ele [o amor] seja uma pessoa

[3] Na Volta de Yaohu’shua tais dons serão desnecessários!

[4] Os espelhos eram peças de bronze extremamente polidas.

[5] Seria como se estivéssemos “rezando” um texto em uma outra língua à qual desconheço! São vãs repetições – Mt 6:7.

[6] Is 28:11-12.

[7] Ou seja, a pessoa que fala em uma língua estrangeira, tem pleno controle de si! Não fica “possessa” do espírito  como se vê nas “igrejas pentecostais” [pelo maligno] – Mt 7:21-23.

Seja um Rosh (líder Congregacional); faça o CTA: Curso de Teologia Aplicada – CLIC!

Dúvidas:

Leave this field blank
Our Score
Avalie esta postagem
[Total: 0 Classific: 0]